Vítima de facção em Planaltina foi apedrejada e asfixiada por 4 horas

Uma organização criminosa torturou e matou um homem na Vila Nossa Senhora de Fátima, a três quilômetros do centro da cidade de Planaltina (DF), nesse fim de semana. Identificada como Elton Antunes Nascimento, a vítima morava na rua e comprou drogas com os traficantes, mas estava devendo. Além disso, teria roubado uma bicicleta de um dos integrantes da facção.

Ele apanhou, foi posto em uma cisterna, apedrejado e asfixiado durante cerca de quatro horas. Tudo aconteceu em um barraco, localizado em uma invasão da Quadra 9 da Vila. As técnicas de tortura e de cárcere privado foram utilizadas com pelo menos outras duas vítimas, que sobreviveram. Todos tinham dívidas com o grupo de traficantes.

A Polícia Civil não divulgou nomes nem detalhes sobre o estado de saúde das demais vítimas. A corporação considera, inclusive, que haja mais cadáveres enterrados pela região.

O delegado-chefe adjunto da 16ª Delegacia de Polícia, Luiz Gustavo Ferreira, comanda a Operação Cruciatus — do latim, tortura —, que já prendeu cinco traficantes envolvidos na morte de Elton Antunes Nascimento. O líder da facção é Márcio Rogério, de 38 anos. Filho de um subtenente reformado da Polícia Militar, ele está foragido. O outro integrante do grupo de sete homens é um adolescente de 17 anos.

Após agredir as vítimas com chutes, pontapés, pedras, paus e barras de ferro, criminosos as mantinham em uma cisterna. Foto: PCDF

Demonstração de poder

“Normalmente, os traficantes cobram dívidas matando. Nesse caso eles queriam fazer a pessoa sofrer para ganhar notoriedade, demonstrar força e poder”, analisa o delegado Luiz Gustavo Ferreira. A investigação começou com o desaparecimento de várias pessoas na cidade. Em patrulhas pela região, os agentes da Polícia Civil encontraram um corpo enterrado na mata, próximo à Vila Nossa Senhora de Fátima.

O cadáver estava em um buraco de um metro de profundidade. Informantes disseram à polícia que os responsáveis eram os traficantes, conhecidos na região. Nesta semana, a equipe chegou aos envolvidos. Alguns estavam em Planaltina. Um foi capturado na QNN 03 (Ceilândia).

Ao colher depoimentos dos criminosos que foram capturados, a equipe obteve detalhes da tortura. O grupo levava os devedores para um barraco, cujo proprietário é o traficante Márcio Rogério, descrito como um “criminoso experiente” pelo delegado Luiz Gustavo Ferreira. “A área fica em uma invasão. Eles cercaram o espaço com restos de material de construção e mantinham as pessoas presas ali”, conta o delegado.

“Eles batiam muito nas vítimas, com socos, chutes e puxões de cabelo. Depois jogavam a pessoa dentro de uma cisterna com quase dois metros de profundidade. Com ela lá dentro, jogavam pedras, depois barra de ferro e pedaços de pau. Quando a pessoa estava muito machucada, eles jogavam água e lama por cima”, descreve, com base no depoimento de um dos traficantes.

Atrás do barraco onde as sessões de tortura aconteciam, havia um riacho. Vítimas sofreram afogamento no local. Foto: PCDF

Morto por roubar bicicleta

Com Elton Antunes Nascimento, a situação chegou às vias de fato. Amarraram uma corda no pescoço do rapaz e o conduziram a um riacho próximo. “Após ser afogado, deram um mata-leão nele”, narra. “Em seguida, cavaram a cova, despejaram gasolina pelo corpo do homem e atearam fogo. Depois, enterraram”. Segundo o delegado, ele teria roubado uma bicicletas de algum dos integrantes da organização criminosa.

Enquanto a tortura acontecia, outras duas pessoas foram mantidas em cárcere privado. “Só não foram mortas porque sempre alguém chegava, algo acontecia. Foi sorte”, afirma o delegado. Apenas dois integrantes do grupo não participaram do crime de homicídio e terão pena reduzida.

Porém, eles respondem pelos crimes de corrupção de menores — porque um adolescente de 17 anos participou da ação —, organização criminosa, roubo e tortura. Os demais integrantes da facção, envolvidos no assassinato de Elton Antunes Nascimento, respondem por tortura, homicídio qualificado, cárcere privado e ocultação de cadáver.

 

 

Fonte: Quidnovi/Jornal de Brasília