Brasília, 20 de janeiro de 2018
6 jan 2018

Vigilante morto com suspeita de febre amarela no DF tomou vacina em 2011

vigilante de 58 anos que morreu na última quarta-feira (3), no Distrito Federal, com suspeita de febre amarela estava imunizado contra a doença. O cartão de vacinação de Eronde Silva comprova que ele recebeu a primeira dose em janeiro do ano 2000, e o reforço, em abril de 2011. Desde o ano passado, o Ministério da Saúde adota o esquema vacinal de apenas uma dose durante toda a vida.

Segundo a resolução do ministério, o paciente, portanto, estaria imunizado contra o vírus (veja esquema de vacinação mais abaixo). A medida está de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Até a tarde desta sexta (5), a infecção ainda não tinha sido confirmada. Em nota, a Secretaria de Saúde confirmou a investigação do caso, e informou que as amostras biológicas coletadas estão em análise no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) do DF. Na próxima semana, o material também será enviado para o instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.

Mudança no esquema de vacinação da febre amarela, determinada em abril pelo Ministério da Saúde (Foto: Editoria de Arte/G1)Mudança no esquema de vacinação da febre amarela, determinada em abril pelo Ministério da Saúde (Foto: Editoria de Arte/G1)

Mudança no esquema de vacinação da febre amarela, determinada em abril pelo Ministério da Saúde (Foto: Editoria de Arte/G1)

À família, os médicos informaram que os sintomas também podiam indicar contaminação por hantavírus ou leptospirose. O corpo de Eronde Osmar da Silva foi enterrado nesta sexta, no cemitério Campo da Esperança de Planaltina.

Nesta sexta (5), após o sepultamento, o G1 visitou a casa da família em Planaltina. A filha da vítima, Juliana Kayta, diz que o pai “era um homem saudável” e “adepto de campanhas de vacinação”. Questionada, ela não soube confirmar se ele tinha recebido a imunização contra a febre amarela.

“Meu pai deu entrada [no hospital] com febre e dores no corpo. Os médicos suspeitaram até de infarto, mas descartaram logo porque a febre alta indicava algum quadro infeccioso.”

“Os médicos que atenderam meu pai em Planaltina disseram que podia ser causada pela hantavirose, febre amarela ou leptospirose”, afirma. Segundo Juliana, o pai trabalhava no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (Saan) – região do DF onde há vários lotes de mato alto e vegetação nativa.

Vigilante Eronde osmar Sila, 58 anos, que morreu na quarta (3) com suspeita de febre amarela, no DF (Foto: Arquivo Pessoal)Vigilante Eronde osmar Sila, 58 anos, que morreu na quarta (3) com suspeita de febre amarela, no DF (Foto: Arquivo Pessoal)

Vigilante Eronde osmar Sila, 58 anos, que morreu na quarta (3) com suspeita de febre amarela, no DF (Foto: Arquivo Pessoal)

Ainda de acordo com a família, uma quarta hipótese – de contaminação pelo vírus da dengue – foi descartada no início da semana. As suspeitas de febre amarela, hantavirose e leptospirose se basearam na dor intensa que o paciente sentia em todo o corpo.

No comunicado à imprensa, o governo diz que a Subsecretaria de Vigilância à Saúde “está acompanhando o caso e o provável local de contágio está sendo investigado”. Segundo a família, Eronde Silva não viajou, nos últimos meses, para áreas rurais ou onde houvesse epidemia de febre amarela.

“Em 2017, foram investigados 86 casos suspeitos de febre amarela em moradores do Distrito Federal. Destes, 83 foram descartados, três foram confirmados e evoluíram para óbito. Das confirmações, apenas um foi autóctone”, diz a Secretaria de Saúde.

O termo “autóctone” faz referência a infecções diagnosticadas na mesma região de contágio. Isso significa que, dos três casos de febre amarela confirmadoss no DF, dois foram causados por vírus contraídos em outras regiões do país.

Vacinas contra febre amarela, em foto de arquivo (Foto: Divulgação/ Sesa)Vacinas contra febre amarela, em foto de arquivo (Foto: Divulgação/ Sesa)

Vacinas contra febre amarela, em foto de arquivo (Foto: Divulgação/ Sesa)

Dose única

A Secretaria de Saúde diz que uma única dose é suficiente para garantir a proteção contra a febre amarela, conforme recomendação da OMS. Dados do Ministério da Saúde apontam que a eficácia da vacina varia entre 95% e 98%. Por isso, a imunização é considerada “segura” e “potente”. A dose demora cerca de dez dias para garantir a imunização após a primeira aplicação.

Um infectologista ouvido pela reportagem, em novembro, informou que tomar mais de uma dose em intervalos curtos é arriscado. “Isso não deve ser feito, porque a vacina é uma vacina de vírus vivo. E se as pessoas tomarem doses adicionais, pode ser que a carga viral seja muito alta e a pessoa tenha efeitos colaterais por causa do excesso de vacinas.”

Profissional de saúde aplica vacina contra febre amarela, em imagem de arquivo (Foto: André Borges/Agência Brasília)Profissional de saúde aplica vacina contra febre amarela, em imagem de arquivo (Foto: André Borges/Agência Brasília)

Profissional de saúde aplica vacina contra febre amarela, em imagem de arquivo (Foto: André Borges/Agência Brasília)

Quem pode se vacinar?

Nas áreas com recomendação, como o DF, em situações de emergência, a vacina pode ser dada a partir dos seis meses de idade. A recomedação da dose única não vale, no entanto, para crianças que se vacinaram nesta fase. Elas devem receber um segundo reforço aos quatro anos de idade.

Pessoas com mais de cinco anos de idade devem se vacinar. Idosos precisam ir ao médico para avaliar os riscos de receber a imunização. Por causar reações, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não recomenda a vacina para pessoas com doenças como lúpus, câncer e HIV, devido à baixa imunidade, nem para quem tem mais de 60 anos, grávidas e alérgicos a gelatina e ovo.

Fonte: G1