Brasília, 21 de fevereiro de 2018
8 fev 2018

Suspeito de matar ciclista da UnB a facadas é preso dentro da geladeira na casa do pai no Itapoã

Estudante Arlon Fernando da Silva assassinado a facadas.

A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu, nesta quarta-feira (7), o principal suspeito de assassinar o estudante da Universidade de Brasília (UnB) Arlon Fernando da Silva na área central do DF, em dezembro do ano passado. O pesquisador, de 29 anos, foi atacado em frente à Câmara Legislativa, por onde passava de bicicleta rumo ao Sudoeste.

Segundo a corporação, Daniel Sousa de Andrade, de 21 anos, foi encontrado na casa do pai, no Itapoã. Quando a equipe chegou ao local, o suspeito tentou se esconder na geladeira do imóvel, mas foi encontrado.

A prisão preventiva de Andrade foi decretada no último dia 16, mas ele estava foragido desde então. O suspeito já tinha passagens por roubo e, segundo a Polícia Civil, estava cumprindo prisão domiciliar.

Em janeiro, policiais militares encontraram peças da bicicleta de Arlon na casa de um amigo do suspeito, também no Itapoã. De acordo com o major Michelo Bueno, que fez a abordagem, esse amigo disse ter comprado as peças por R$ 500, e negou conhecer a origem dos produtos.

Nada a comentar

Na delegacia, Daniel permaneceu calado na maior parte do tempo. Segundo o delegado da 5ª DP (área central), Rogério Henrique Oliveira, o suspeito disse apenas que “era inocente”. Ainda durante as investigações, a ex-namorada do suspeito afirmou à polícia que ele é “viciado em bicicleta, doente mesmo”.

Os investigadores se referem ao responsável pela morte do estudante como um homem “frio e cínico”. “Não esboça reação. Ataca a vítima sem anunciar o roubo”, pontua o delegado Henrique Pantuzo, que também atua na 5ª DP.

Se confirmada a participação de Daniel Andrade neste crime e nos outros que constam na ficha criminal (veja abaixo), a pena prevista é superior a 30 anos de prisão. O suspeito de matar Arlon está detido na carceragem da polícia. Ele deve ser levado ao Complexo Penitenciário da Papuda nesta quinta (8).

Já o pai, dono da casa onde ele foi encontrado não deve ser indiciado. Para Oliveira, é “natural” a proteção de familiares nesses casos.

Investigações

No primeiro mês de apuração, a Polícia Civil ouviu cinco testemunhas. Todas elas confirmaram ter visto Daniel Andrade usando a bicicleta de Arlon, orçada em R$ 4,2 mil.

O principal suspeito do crime chegou a prestar depoimento à polícia, durante as investigações. Segundo o delegado Rogério Henrique Oliveira, responsável pelo caso, o suposto assassino chegou a dizer que não tinha passado perto do local no dia do crime. Depois, afirmou que esteve na área central de Brasília, mas só na área perto da Torre de TV – a cerca de 2 km do local do crime.

Delegado Rogério Henrique Oliveira, responsável pela 5ª DP, na Asa Norte, em Brasília (Foto: Luiza Garonce/G1)Delegado Rogério Henrique Oliveira, responsável pela 5ª DP, na Asa Norte, em Brasília (Foto: Luiza Garonce/G1)

Delegado Rogério Henrique Oliveira, responsável pela 5ª DP, na Asa Norte, em Brasília (Foto: Luiza Garonce/G1)

Em outubro de 2015, Andrade foi preso em flagrante por um roubo semelhante. Na ocasião, ele tentou roubar a pauladas um militar do Exército em local próximo ao de onde Arlon morreu. Segundo o delegado Rogério Henrique Oliveira, o jovem se escondeu atrás de uma árvore e atacou o homem, que também estava de bicicleta, com um pedaço de pau.

A vítima atirou em defesa e o deteve até a chegada da polícia. Andrade foi preso em flagrante, ficou dois meses custodiado e saiu em liberdade provisória. Em outro registro policial, Andrade aparece como suspeito de um roubo praticado contra um servidor do Tribunal de Justiça do DF.

Relembre o caso

Arlon Fernando da Silva, de 29 anos, foi esfaqueado em frente à Câmara Legislativa por volta das 20h quando voltava da UnB para casa, no Sudoeste. “Ele sempre falava que tinha dois possíveis caminhos: por dentro da Asa Norte e outro pelo Eixo Monumental”, disse uma amiga da vítima, Maria Isabel.

“Ele preferia o Eixo Monumental, que é mais aberto e, por isso, achava mais seguro.”

O estudante foi encontrado ainda vivo no canteiro e levado ao Hospital de Base, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Civil, ele sofreu perfuração “profunda” na axila esquerda.

“Ele morava no Sudoeste há um mês. Eu que ajudei a achar o apartamento e a fazer a mudança”, contou Maria Isabel. “O primeiro lugar onde ele morou aqui foi num motel barato lá no Gama que era R$ 300 por mês.” Arlon se formou na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e veio para Brasília em 2013 para fazer mestrado.

Fonte: Quidnovi/G1