Brasília, 21 de fevereiro de 2018
31 jan 2018

PreviPalmas: a digital do crime

Por: Mino Pedrosa

Em Palmas Tocantins, como em terra de cego, quem tem um olho é rei. A cidade construída na década de 90 permitiu que um gringo forasteiro abraçasse a política trazendo na mala um discurso de avanço com honestidade. Mas, o forasteiro, Carlos Enrique Franco Amastha (PSB-TO), prefeito de Palmas, enveredou por caminhos sinuosos, trilhados por velhos caciques da política brasileira. Hoje, alguns presos por corrupção.

Os trabalhadores que chegavam do interior do Estado e construíram a jovem cidade, atualmente como servidores assistem ao sangramento no cofre do Instituto de Previdência Social do Município de Palmas (Previpalmas) que está na mira da Polícia Federal e Ministério Público por conta de 30 milhões de reais surrupiados do fundo dos servidores.

Júlio Valdivino, apontado como operador financeiro na campanha do gringo, Carlos Amastha, é considerado o principal alvo nas investigações e padrinho do atual presidente do Previpalmas, Max Fleury. As estreitas relações entre o prefeito e o homem da mala, investigado na Operação Nebulosa com a empresa ICLA TRUST DISTRIBUIDORA DE TITULOS E VALORES IMOBILIÁRIOS, que abocanhou 30 milhões em operação de fachada faz fechar o cerco no prefeito. A empresa que opera como camaleoa no mercado financeiro mudando de cor e de fachada, deixa no rastro o mesmo registro de CNPJ que chamou atenção dos investigadores.

A gestora ICLA TRUST já é carimbada no escândalo que desviou mais de 400 milhões do Instituto de Gestão Previdenciária do Estado do Tocantins (IGEPREV-TO), quando usava como razão social o nome de NSG CAPITAL DISTRIBUIDORA DE TITULOS E VALORES MOBILIÁRIOS.

Com o discurso de bom samaritano o atual prefeito de Palmas lança pré-candidatura para ocupar a principal cadeira do Palácio Araguaia. No entanto, poderá enfrentar alguns percalços no meio do caminho impedindo a sua chegada. Pois, não é a primeira vez que tem seu nome envolvido em escândalo de corrupção. A Operação Nosotros que apurava fraude em licitações para a construção do BRT indiciou pelo menos oito pessoas. O prefeito se esquivou do indiciamento e cobrou da Polícia Federal pedido de desculpas.

Agora, com a investigação no fundo Previpalmas o Ministério Público e a Polícia Federal atuam com lupa e são quem vão ouvir o pedido de “desculpas” de Carlos Amastha, na hora de colocar as algemas, em caso de prisão. Segundo as investigações o objetivo do grupo era fazer diversas operações com ativos podres usando além da Incla Trust, também as gestoras Terra Nova e Phenon. Ambas investigadas por fraudes em outros fundos municipais e também receberiam recursos da PreviPalmas.

Documentos em mãos da Polícia Federal e do Ministério Público que demonstram a Operação Nebulosa, chegaram a redação do Quidnovi que publica agora com exclusividade.