Portugal vence com gol de CR7 que se torna o maior goleador de seleções da Europa de todos os tempos

O atual melhor jogador do mundo precisou de apenas quatro minutos de jogo, nesta quarta-feira (20/6), para — mais uma vez na Copa do Mundo da Rússia — mostrar porque ocupa este posto. O craque Cristiano Ronaldo venceu a marcação de Marrocos e abriu o placar, de cabeça, para Portugal, no Estádio Lujniki, em Moscou, pelo Grupo B.

Com o gol, CR7 se isola na artilharia do Mundial, com quatro. E mais: o craque se tornou o jogador que mais vezes balançou a rede por uma seleção europeia (85 vezes) na história ao ultrapassar o húngaro Ferenc Puskás (84). Entre todas as equipes nacionais do mundo, somente o iraniano Ali Daei supera CR7, com 109 gols.

A lista considera gols em amistosos, jogos olímpicos, eliminatórias, copas continentais e do Mundo, e exclui partidas por categorias de base.

Uma vitória nesta quarta poderá colocar Portugal a um passo da classificação às oitavas de final, em chave que tem Espanha e Irã, além de Marrocos.

Antes do jogo
O jogador mais temido nesta primeira etapa da Copa do Mundo e grande aposta de Portugal na partida desta quarta-feira (20/6) contra Marrocos, às 9h, no Estádio Lujniki, em Moscou, pela segunda rodada do Grupo B, quase desistiu da carreira por causa de bullying na infância.

Quando tinha 10, 11 anos e saiu do Nacional, da Ilha da Madeira, para jogar no Sporting Lisboa, Cristiano Ronaldo era vítima de piadinhas e gozações dos meninos da capital. O problema era seu sotaque — os madeirenses têm um jeito mais carregado de falar —, diferente do povo de Lisboa.

Diziam que ele não falava direito. Não era nada do outro mundo, mas, naquela época, o melhor jogador do mundo ainda não tinha a marra e a autoconfiança de hoje. Por isso, caía no choro no vestiário. Aí, os colegas dobravam as chacotas. Ele se sentiu tão discriminado que pediu para deixar o clube. A carreira do (até agora) astro da Copa do Mundo quase foi por água abaixo.

Foi preciso que a família fosse falar com a direção do Sporting Lisboa. Naquela época, ainda não havia a palavra bullying, mas a irmã mais velha, Elma, deu piti. Disse que se o irmão não fosse bem tratado, ela própria o levaria embora. Deu uma semana. Funcionou. Nunca mais riram do jeito de falar do atleta que ganharia cinco Bolas de Ouro.

Dolores Aveiro, a mãe de Cristiano Ronaldo, conta essas histórias pouco conhecidas sobre o astro com entusiasmo. Ela sabe que está revelando pequenos tesouros. Seus tesouros. Nem todos estão na biografia Mãe Coragem, que ela lançou no Brasil no mês passado.

Ela estará nesta quarta-feira no estádio Luzhniki, em Moscou, para torcer para que o filho caçula e o mais bem-sucedido de quatro irmãos consiga a sua primeira vitória na Copa do Mundo. Os dois — mãe e filho — têm um ritual que precisa ser repetido antes de cada jogo: acender uma vela para Nossa Senhora de Fátima. O jogador acende uma; ela acende outra. “Ele não é supersticioso, mas tem muita fé. Acredita”, revelou a senhora de 63 anos.

Mais um pouco sobre o bullying. A razão de Cristiano Ronaldo se sentir tão deslocado na capital portuguesa é porque ele já era um pequeno ídolo no bairro Funchal. Na época, tinha o apelido de Abelhinha, um elogio à sua rapidez no futebol, pois ele passava na frente de todo mundo para ficar com a bola.

Seu primeiro campo foi a própria rua de terra de casa. Os gols eram feitos de pedras, os famosos paralelepípedos. Quando o carro vinha, o jogo parava. Quando não havia amigos suficientes, Cristiano Ronaldo ficava chutando a bola na parede.

O futebol era vida e sonho do menino que não tinha iogurte em casa todo dia. Era um luxo. Quando tinha um potinho, ele fazia questão de fazer um furo embaixo e beber de cima para baixo. Dona Dolores só conseguia comprá-los com as gorjetas que recebia como auxiliar de cozinha.

Um dia, o gerente decidiu que as gorjetas seriam apenas para os garçons. O craque ficou sem iogurte. Ele sempre perguntava para a mãe por que seus colegas tinham roupas mais bonitas que as suas. A mãe não respondia e ia para o quarto chorar.

Tempos difíceis
O pai de Cristiano Ronaldo, Dinis, nunca foi o mesmo depois da guerra. Em 1961, se juntou às forças portuguesas para combater um clamor das colônias por independência. Dinis voltou, mas era como se não tivesse voltado. Cristiano Ronaldo não pegou essa época, mas só os reflexos na relação do pai e da mãe, que praticamente se esfarelou. Bebida. Violência.

Neste contexto, Dolores decidiu interromper a sua quarta gravidez. Esse episódio está no livro. A vizinha recomendou que bastava ferver uma cerveja preta e bebê-la de uma vez. A reação seria espontânea. Não foi. No parto, ela jura que o médico disse: “Com uns pés como esses, vai ser jogador de futebol”.

Dinis conseguiu se reerguer, parou de beber e arrumou um emprego no Clube de Futebol Andorinha, um clube de bairro em Santo Antonio, para ser uma espécie de roupeiro. O resto é a história do melhor jogador do mundo que quase foi interrompida nas cruéis brincadeiras das crianças das categorias de base do Sporting Lisboa.

Ficha técnica:

Portugal x Marrocos

Copa do Mundo da Rússia 2018
Grupo B – 2ª rodada

9h

Estádio Lujniki
Moscou, Rússia

Portugal
Rui Patricio; Cedric, Pepe, Fonte e Guerreiro; Bernardo Silva, William Carvalho, João Moutinho e João Mario; Andre Silva e Cristiano Ronaldo
Técnico: Fernando Santos

Marrocos
Munir; Mendyl, Benaita, Da Costa, Al Ahmadi e Dirar; Harit, Belhanda, Ziyech e Saiss; Boutaieb
Técnico: Hervé Renard

Árbitro: Mark Geiger (EUA)

 

 

Fonte: Quidnovi/Estadão