PDT adia para 30 de junho decisão sobre quem apoiar nas eleições

A costura de alianças para a formação de chapas majoritárias está tão intrincada que o PDT adiou de 15 para 30 de junho a data limite para a definição do futuro do partido. O principal nome da legenda na capital, entretanto, posicionou-se: “A minha preferência hoje é ser senador em uma candidatura com o Jofran Frejat e com o PR”, garantiu o presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle, em entrevista ao programa CB.Poder. “Mas sei que não é uma decisão automática. Na política, tudo precisa de costura e de construção”, acrescentou.
Joe não acredita que haverá uma imposição do PDT nacional para que o partido faça aliança com o PSB, do governador Rodrigo Rollemberg. Neste mês, o presidenciável do partido, Ciro Gomes, declarou que a aproximação com os socialistas é o centro da estratégia nacional do PDT. “Certamente, o PSB estará com outros partidos em alguns estados e não com a campanha do Ciro Gomes. É natural. A gente está construindo esse acordo nacional para que haja uma harmonia partidária. A exigência dele (Ciro) pode acontecer, mas não é automática. O resultado seria a diminuição do PDT no Distrito Federal”, explicou. “Essa construção está com o meu presidente nacional, que é o (Carlos) Lupi. A minha preferência clara é fazer uma chapa que possa juntar muita gente bacana para governar esta cidade”.
Sobre o adiamento da data prevista para a definição do futuro da sigla, o presidente da Câmara argumentou que o tempo extra é necessário para buscar uma unidade partidária. “A nossa decisão seria tomada dia 15 e adiamos para 30 de junho, com o objetivo de fazer essa costura pela cidade. A busca do consenso é o exercício da democracia”, justificou Joe Valle. Ele confirmou que está em busca de uma candidatura ao Senado, mas assegurou que pode até mesmo não concorrer em outubro.
O presidente da Câmara fez, ainda, uma análise da gestão de Rollemberg, seu ex-aliado. Joe chegou a ocupar uma secretaria do GDF por nove meses, mas, pouco depois de deixar o Executivo, o PDT rompeu com o governador. “Dependendo dos técnicos escolhidos, é possível deixar muito a desejar, e foi o que aconteceu. Ele trabalhou puramente a austeridade. Nessa lógica, o Frejat teria mais condições de fazer diferente, ele seria o novo”, comentou.
Sobre o rompimento com Rollemberg, Joe afirma que o chefe do Executivo local preteriu os pedetistas nas tomadas de decisão. “Saí da Câmara Legislativa, fui ao governo para tentar ajudar com a minha expertise e não tive espaço para a tomada de decisão. Quando a gente tem experiência e vai fazer gestão, a gente quer participar, a gente quer uma sensação de pertencimento, e o PDT não teve isso. Os nossos deputados têm hoje esse sentimento”, afirmou.


Inversão lógica

Para o presidente da Câmara Legislativa, o fato de a chapa ter o apoio do ex-governador José Roberto Arruda e do ex-vice Tadeu Filippelli — ambos denunciados na Operação Panatenaico, que investiga corrupção na obra do Estádio Nacional Mané Garrincha —, não trará problemas ao grupo. “O governador será o Frejat, não o Filippelli, nem o Arruda. Nesse sentido, deposito confiança nele. É um grande mérito ter passado por uma vida de várias candidaturas, ter sido secretário, ministro, com a moral que ele tem. Ele que será o governador. E eu serei senador para ajudá-lo”.
Joe reconheceu que a grande quantidade de potenciais concorrentes ao governo — são oito pré-candidatos ao Palácio do Buriti — tem chance de prejudicar a oposição. “Essa pulverização de candidaturas pode levar a um segundo turno, e isso beneficiaria o governador Rodrigo Rollemberg”, avaliou. Ele defende que haja uma inversão na lógica das candidaturas. “As pessoas continuam achando que ser eleito é ganhar um prêmio. Eleição hoje é assumir uma missão que precisa ser coletiva. As instituições estão disputando narrativas, todas querem ser donas da verdade, estão sempre atacando e acusando. A lógica hoje precisa ser a de um mundo colaborativo”, concluiu.
Fonte: Quidnovi/Correio Braziliense