PCDF investiga morte de jovem no campus da UNB

A morte de Jiwago Henrique de Jesus Miranda indignou os estudantes da Universidade de Brasília (UnB). Afinal, o rapaz de 33 anos não passava despercebido. Grande parte dos alunos já havia cruzado ou interagido com o homem magro e alto que perambulava pelo campus.

O corpo de Jiwago foi encontrado no sábado (23/6) em um matagal perto do Bloco J da Colina, setor onde moram professores, servidores e estudantes da UnB. Ele estava com um ferimento na cabeça – provavelmente causado por uma pedra localizada na cena do crime. A perícia esteve no lugar e acredita que o homem tenha sido vítima de homicídio. A Universidade de Brasília decretou luto de três dias a partir desta segunda-feira (25).

Durante o dia, ele frequentava as aulas. À noite, dormia em cantos escondidos da universidade. “Sempre me lembrarei do cara sagaz e de raciocínio rápido”, disse um colega da UnB em um grupo do Facebook. Os estudantes também lembram de Jiwago fazendo grandes reflexões no CA de Filosofia e no ICC Norte.

Em quase todas as homenagens, os colegas mencionam a inteligência e a criatividade de Jiwago. “Ele falava cinco idiomas sem nunca ter saído do país”, contou a mãe dos filhos dele, Vanice Silva Dantas, de 47 anos, ao Metrópoles.

Matriculado no curso de filosofia, Jiwago era membro da comunidade acadêmica havia nove anos. O rapaz tinha tanto apreço pela universidade que chamava o local de “mãe”. Ele despertava a atenção dos colegas por ser gentil e educado. Mas, nos últimos meses, não parecia bem e estava agressivo com quem se aproximava.

Segundo relatos de familiares e amigos, Jiwago foi diagnosticado com bipolaridade e esquizofrenia. Como desde 2016 não seguia o tratamento prescrito, estava “extremamente surtado”. De acordo com Vanice, o ex-marido não estava conseguindo, há mais de dois anos, pegar os remédios na rede pública. A falta de medicação o deixou à mercê dos efeitos das doenças.

O casal ficou junto por 13 anos, mas não tinha mais contato há alguns meses. A última ligação aconteceu semana passada, quando ele pediu ajuda. Eles se separaram há mais de dois anos, após agressão de Jiwago. Desde então, cada um foi para um lado. Ele perambulava pela UnB e morava ali mesmo. Ela, por outro lado, vive num quarto na casa de uma amiga. Jiwago e Vanice tiveram uma menina e um menino, ambos de 6 anos.

Confira o relato da ex-mulher:

“Surtado ou não, ele é ser humano. Usando droga ou não, ele é ser humano”, frisou. Vanice e diversos alunos acusam a UnB de não oferecer apoio psicológico a Jiwago. Segundo nota divulgada pela universidade, o aluno recebia auxílio socioeconômico e acompanhamento psicossocial. O estudante tem dois processos no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Em um deles, respondia por violência doméstica e, no outro, por furto.

O velório de Jiwago está marcado para começar às 13h de segunda-feira (25), no Cemitério Campo da Boa Esperança da Asa Sul. O sepultamento será às 16h30.

 

 

Fonte: Brasil/Metrópoles