O medo diário nas paradas de cada dia

Para os moradores ou aqueles que precisam utilizar as paradas de ônibus da Avenida Alagados, na altura da QR 204 de Santa Maria, o escuro não traz medo pelo desconhecido, como em geral ocorre em filmes de terror, mas, sim, pela perigo real de assaltos. Com a iluminação dos postos apenas na pista, há um grande descampado atrás das paradas. Após diversos pedidos à Administração Regional da cidade, sem efeito, a esperança era o programa do governo Ilumina mais Brasília. Porém, ele não vai chegar à região nesta fase.

O medo é tanto que a primeira coisa que os passageiros fazem é olhar atrás das paradas de ônibus para ver se não há ninguém escondido. Essa é uma das táticas da cuidadora Márcia Alves, 40. “Todo dia eu pego ônibus aqui, depois das 18h30. Eu chego, olho e fico prestando atenção em tudo. Especialmente, quando estou sozinha”, afirma a mulher, que vê com frequência suspeitos mal intencionados atrás da parada ou no descampado.

Para ela, a iluminação ali deveria ser prioridade até porque o local fica bem perto da chamada Faixa de Gaza – uma área que pega parte da QR 204 a 206, conhecida pela quantidade alta de assaltos, furtos e usuários de drogas. Quando o medo fala mais alto, Márcia vai para o ponto de ônibus que fica na sequência, que é mais longe, porém mais iluminado.

“A gente sente insegurança e impotência. Todo mundo já fez pedidos para a Administração, e nada muda. Nem policiamento tem por aqui”, reclama a mulher, que trabalha em Santa Maria e mora no Jardim Ingá, em Luziânia (GO).

Sem esperança

Todas as pessoas ouvidas pelo JBr. pediram para não terem seus rostos identificados. O receio é de que haja algum tipo de retaliação já que a situação, tanto de violência quanto de escuridão, deve continuar. Sem nenhuma esperança de que a iluminação venha auxiliar a espantar aqueles que querem se aproveitar de quem circula por ali, o vigilante A.R., 34, esconde todos os seus pertences.

Ele pediu que nem o seu nome nem sua imagem fossem divulgados tanto pela profissão que exerce, pois poderia “ficar marcado”, quanto pela necessidade de utilizar aquele espaço todos os dias para voltar para casa. Enquanto conversava com a reportagem, ele não olhava para o lado da pista que chega o ônibus, como normalmente se faz em uma parada de ônibus. Estava mais preocupado com a possibilidade de um assalto. “Nem a Polícia passa por aqui. Se tivesse uma ronda mais ostensiva, acho que amenizaria o problema da falta de iluminação. Se tivesse luz, os assaltantes iam ficar inibidos”, lamenta.

Sensação de insegurança

A vendedora Carla Barbosa, 35, já perdeu a conta de quantos assaltos teriam ocorrido na região. Ela mesma já foi roubada a caminho de sua casa, na QR 304. O maior problema é no fim da madrugada e depois das 18h, quando está tudo escuro.
De acordo com a Companhia Energética de Brasília (CEB), para que se possa instalar postes de luz na área é necessário que a Administração Regional de Santa Maria faça uma recomendação à companhia. No entanto, até o fechamento desta edição, nenhum pedido havia chegado à CEB.

Uma outra possibilidade de mudança seria com o programa Ilumina Mais Brasília. Lançado no dia 19 de fevereiro deste ano, ele promete reduzir o consumo de energia elétrica, com a implantação de lâmpadas de LED e ampliação a rede. A intenção é que ocorra economia e aumente a sensação de segurança para a população do DF.

No último dia 16, as primeiras instalações do programa foram feitas, com a troca de lâmpadas do Eixão Sul e Norte e do Buraco do Tatu. Nessa região, foram investidos mais de R$ 3 milhões na substituição de 689 luminárias e 130 refletores. Outros pontos de cidades, como Planaltina, Ceilândia e Taguatinga, vão receber o programa, porém, nenhuma área de Santa Maria será contemplada nesta etapa.

A Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sinespe) não soube informar se a cidade será contemplada em outros momentos.

Versão oficial

A Administração Regional de Santa Maria alega que está levantando a situação na QR 204 e áreas próximas, para então pedir execução do serviço aos órgãos competentes. O órgão informa que tem priorizado a instalação de iluminação onde antes não havia. Já a Polícia Militar diz que o policiamento em paradas de ônibus é realizado por meio de rondas periódicas, visto ser inviável manter uma viatura fixa nas inúmeras paradas de ônibus de todo o DF. Além disso, é realizada todos os dias a Operação Anjo da Guarda, que tem gerado resultados positivos.

 

Fonte: Quidnovi/ Jornal de Brasília