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  • 16 jul 2015

Exclusivo: O depoimento que poderá colocar em xeque a saúde de Brasília na CPI das Próteses no Congresso

 

O depoimento de um dos operadores da chamada máfia de próteses aponta para um escândalo na saúde da capital do País. O presidente da CPI das Próteses no Senado Federal, Magno Malta (PR-ES) e o relator, Humberto Costa (PT-PE) receberam relatos de possíveis crimes cometidos por médicos que atuam na Capital Federal.

O denunciante, que teve o seu nome mantido em sigilo revelou que participou diretamente do esquema e detalhou o funcionamento dando nomes e endereços de possíveis envolvidos no esquema.

O presidente da CPI, Magno Malta, encaminhou à Polícia Federal e ao Ministério Público o depoimento para que tudo fosse investigado, inclusive a origem da denúncia que segundo informações foi localizado e esta sob a proteção da Justiça.

A baixo o depoimento na íntegra, que servirá de base no pedido de abertura de uma CPI da Saúde Pública no Distrito Federal.

 

Brasília-DF, 10 de junho de 2015.

À CPI DA MÁFIA DAS PRÓTESES AO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL À POLÍCIA FEDERAL

Prezados Senhores, Fui representante do seguimento de Órteses e Próteses por mais de 12 anos, trabalhei e presenciei as mais diversas situações desse mercado tão agressivo e carniceiro. Acompanhei nesse período mais de 700 cirurgias, desde uma simples artroscopia de joelho a uma revisão da prótese. Fui negociador, fui vendedor, fui instrumentador e o pior de tudo, MULA – pois o que fazia de mais importante era carregar importância em dinheiro para o médico. Com minha experiência, posso dizer que o médico é um ser humano sem alma, escrúpulo e ética; cujo único objetivo é tirar proveito de todos os pacientes, seja ela numa simples consulta ou numa cirurgia de alta complexidade. O médico avalia diariamente quem são os pacientes que estão na sua sala de espera, classificando-os de acordo com o convênio e poder aquisitivo, ou seja, separando e dando prioridade aos possíveis pacientes mais lucrativos. Estive presente em diversas ocasiões onde o médico colocou paciente no fim da fila por ser conveniado da Geap (considerado de baixa lucratividade), pois no consultório aguardava paciente de Tribunal (de maior rentabilidade). O que eles podem tirar, nas questões mais simples, eles não têm medo de cobrar ou extorquir. Às vezes o convênio paga uma consulta de R$ 100,00, e eles ainda falas para o paciente que recebe muito pouco para acompanhá-lo com maior dedicação, induzindo o paciente a pagar uma consulta particular. Essa manobra eu presenciei em vários e vários casos.   Quando um médico pede exames específicos como tomografias, ressonâncias, eletroneuromiografia, ele já tem acordo com todos os laboratórios e ganha por quantidade de exames encaminhados, isso é uma máfia, uma quadrilha da pior espécie possível – é a classe Médica de Ortopedia e Neurocirurgia. Aliás, de toda a área médica – para confirmar basta investigar. O médico nesse mercado é tão mercenário, tão mesquinho, que costuma convidar representantes comerciais para almoçar quando deseja comer em um restaurante de alto nível e tomar um bom vinho, sem ter que pagar a conta. Agem da mesma forma para ir aos congressos, escolhem os melhores hotéis e ficam em quartos privilegiados para seu melhor conforto, em muitas viagens os médicos vão com esposa, filhos e ainda a babá, e quando qualquer representante se nega a pagar a retaliação é por completo, pode acreditar.  Outro fator fundamental e obscuro, quando a mulher não está presente, muitos têm amantes e prostitutas para lhe acompanhar nesse luxo adquirido, fruto de extorsão (não é acordo de cavalheiros, é EXTORSÃO, mediante ameaça). Eu poderia muito bem estar aqui acabando com os empresários do seguimento, os distribuidores, sabendo que muitos não são anjos, mas, de todas as irregularidades, o médico se torna o maior vilão, pois, são eles, que conduzem todas as ações, manipulando pacientes, desfalcando planos de saúde e extorquindo os distribuidores de produtos médico-hospitalares. Eu tenho muitos colegas no seguimento que tiveram crise de estresse, ao ponto de fazer tratamento com psiquiatras e psicólogos, resultado da pressão que os médicos fazem em suas cabeças para levar dinheiro, valorizar cirurgias mais altas sem ter condição, gritos no centro cirúrgico, humilhação, pressão psicológica. São obrigados a ouvir dos médicos que são eles que pagam seus salários e uma série de outros fatores que envolvem as cirurgias para tirar algum proveito da situação. Atualmente em Brasília quem dita as regras do jogo de quanto, como e quando vai ser a cirurgia é o médico. De acordo com o paciente, ele determina quanto é para o representante cobrar por determinada cirurgia no DF, ele entra em contato com vendedor e dita as regras. Por exemplo, para o paciente X, você vai cobrar acima de R$ 60.000,00 mil, dessa forma ele já determina o quanto quer receber pelo procedimento, de 20 a 30% por cirurgia, e ainda fala que se alguém entrar em sua cotação vai tomar as devidas providências com quem atravessou o procedimento. Causa com isso um tremendo desconforto entre empresas distribuidoras e convênios, pois o médico não aceita nada seja feito diferente do que exigido por ele. Às vezes por aquela cirurgia de R$ 60.000,00 a empresa poderia negociar em torno de R$ 40.000,00, mas, devido o médico já ter feito suas imposições, a empresa baixa a cabeça e segue as regras impostas pelo ele.  Em Brasília existem médicos que são conhecidos como vilões de mercado, fiquei com eles mais de 03 anos em atendimento. Cito o Dr.Gilmar Saad (Hosp. Home), um homem sistemático, complicado, arrogante e intragável, um dos mais perigosos no seguimento, que espera a empresa trazer o valor de sua propina no vestiário ou logo após a cirurgia. É exigente, grita com vendedores, pede muito dinheiro antecipado, ostenta muito com carros de luxo, mansões, coleções de Rolex e festas no Lago (bairro nobre de Brasília). Esse é o Rei do Seguimento. Outro médico muito próximo a ele é Paulo Saide Franco (Médico Santa Lúcia), um médico sem quaisquer escrúpulos, responsável por um conjunto de erros médicos. Mesmo depois das reportagens do programa Fantástico, disse em bom to (no corredor do hospital) que está “cagando e andando” para tudo isso. Palavras dele: “eu quero é dinheiro, quero o que me for de direito”; esse tem até um filho que é advogado que entra na justiça em alguns casos a favor do pai. Disse, ainda, que as investigações não dão em nada para os médicos e, que tinham que ficar esperto, eram os donos de empresa. Há em Brasília um médico conhecido por ser o Rei da Liminar, onde grande parte dos seus pacientes são instruídos a sair do consultório e entrar com liminar contra o convênio. Essa prática é em benefício próprio, pois ele sempre foi dono das empresas que forneciam material médico-hospitalar para as suas próprias cirurgias, isso já acontece há mais de 8 anos. A sua primeira empresa foi Tecnomedi e agora abriu uma empresa chamada SOS MEDICAL.  Esse médico redige suas próprias liminares, pois ele também é advogado; todos os seus processos são superfaturados com valores fora da normalidade, essas cirurgias de coluna realizadas pelo Dr. Johnny Wesley Gonçalves Martins são astronômicas, que apenas pelo Convênio Amil, que eu presenciei, foram mais de 28 liminares, todas com valores acima de R$ 100.000,00 cada. A justifica sempre é a mesma, que o material que ele trabalha é o mais indicado, o melhor, que nenhum outro produto o atende. Dessa forma é inviável o plano de saúde vetar o procedimento.  Esse é um dos únicos na cidade que nunca trabalhou com qualquer outra empresa do mercado, a não se a dele mesmo. Médico mau caráter, sem escrúpulos, vigarista e, ainda, afirma que tem todas as prerrogativas que a lei lhe dá para fazer tais negociatas. Uma empresa que vive desse tipo de operação dentro da Secretaria de Saúde e atende a um grupo específico em Brasília, e os mesmo fazem a atividade tanto na rede particular como na rede pública é a Brasmedica , todos os seus casos são direcionados pelos médicos e conduzidos a entrar com liminar junto a rede pública para conseguir cotar um material específico deles na linha de prótese da marca Zimmer, uma das grandes marcas deste mercado. As próteses dessa empresa, quando vêm na solicitação da liminar, sempre vêm com especificação Prótese com Tântalo, produto este de exclusividade dessa marca tão conhecida no mercado mundial. Só levantar os processos de judicializações da Secretaria, 80% das próteses vêm com as especificações dessa empresa, que tem atuação muito forte junto aos médicos da rede pública e à equipe de médicos da OrtoSul, localizada no Setor Hospitalar Sul de Brasília, os Ferrer e a equipe de João Eduardo Siminonato, uma equipe de milionários que fizeram sua fortuna em cima disso.   Um dos crimes esdrúxulos neste mercado é dos hospitais que também são donos de empresas distribuidoras de produtos médicos.  A empresa Medicato, que distribui produtos da marca Johnson & Johson, pertence ao filho do dono dos Hospitais da Rede Santa Lúcia, Santa Helena, Prontonorte e Maria A [19/6 08:38] Sara Suene: uxiliadora, todas de Brasília, o que é crime, nesse caso. Parte dos CONVÊNIOS que são negociados pelos hospitais dessa família e, que são convênios públicos de altas gestões, são negociados direto pelo hospital. Convênios como Senado Federal, SUS, Caixa, Câmara, BaCen, TRF, Infraero, Eletronorte, TJDFT, FUNAS e uma série de outros. O que significa tudo isso? Os hospitais manipulam as cotações. Recebem as propostas de outros fornecedores e fazem com que só as empresas desses grupos seja vencedores dessas negociações, ou seja, em 90% dos casos, as cirurgias de coluna e ortopedia desses três hospitais são para a empresa dos donos de hospitais. Esse talvez seja o maior crime do segmento, sabe-se lá quanto é o valor de cada cirurgia feita pela Medicato; com valores elevadíssimos justificando ao convênio que eles cobram em conta hospitalar, fora os valores que os hospitais cobram a mais desses convênios afirmando que eles têm uma negociação de taxa hospitalar. Quando eu atuava no mercado, tinha contato direto com o setor de negociação do Hospital Santa Lúcia. Ao questionar cerva vez sobre a referida prática, os funcionários me confirmaram que se não fizessem com que a cirurgia fosse para Medicato, teriam punições severas, até mesmo demissão. Para isso, rasgavam até cotações de outras empresas com valor menor, para que a Medicato ganhasse a concorrência. Situação semelhante a essa questão citada ocorre no Hospital Home, do tão famoso Dr. Paulo Lobo, onde o mesmo abriu uma empresa chamada Inomed, utilizando o mesmo método predatório da rede Santa Lúcia e Santa Helena – manipulando cotações de convênios de alta gestão para beneficiar a Inomed, empresa do filho do Dr. Paulo Lobo. Dessa forma, todos os médicos do Hospital são obrigados a fazer cirurgias com a empresa deles, pois eles cedem consultórios e estrutura física ao profissional. Essa equipe do Home é agressiva nos acordos médicos, tem um grupo de cirurgiões que faz o que quer com as empresas (Dr. Fabiano Dutra, Dr. Denis, Dr. Roni, Dr. Paulo Lobo e Dr. Afonso), são uma verdadeira quadrilha. O que me levou a fazer todo esse DESABAFO é a falta de respeito que médico tem para com qualquer colega de profissão, parceiros, fornecedores e, principalmente, seus PACIENTES. Além das comissões, eles criam empresas para se beneficiar, até com criação de empresas com nomes fantasmas, para pedir cirurgias em benefício próprio e ainda obrigar médicos a participar do seu esquema de fraude e superfaturamentos. Um exemplo disso é a empresa IMPACTO, pertecente aos Neurocirurgiões Dr. Emilte Pulcinelli e Dr. Alex Caetano. Empresa criada em prol da picaretagem, onde o funcionário laranja da operação era um vendedor que atua no mercado a bastante tempo. Esse funcionário me informou como funcionava tudo, pois estava preocupado. Outra empresa que foi constituída para superfaturar notas no mercado do DF chama-se DVX, empresa que tem dois médicos por traz do negócio, Dr. Antônio Vitor e Dr. Américo, que chegou a cotar uma cirurgia de fratura de Placa de Radio Distal pelo valor de R$ 140.000,00 no Hospital Maria Auxiliadora, do Convênio TJDFT – uma picaretagem de tamanho imensurável. Apresento a seguir alguns grupos de médicos que se destacam pela corrupção e picaretagem, de maneira que ninguém imagina, é impressionante a capacidade que eles têm para extorquir as empresas. Por exemplo, A Clínica COB, próximo ao Hospital São Lucas, tem em seu corpo clínico o Dr. João Luiz de Barros, do mais alto nível de vagabundagem –, capaz de solicitar dinheiro e barganhar em forma de relatório médico ao convênio, pedir dinheiro antecipado, colocar valores elevadíssimos. Além dele, os médicos Dr. Diogo e Dr. Esdras são outros picaretas. Se quiserem pegar uma clínica com a máfia dos médicos, basta procurar o grupo da Clínica COBRA, no Hospital Brasília, tem três nomes que só podem ter treinado em presídios, devido ao seu grau de safadeza e por chegarem a ser ridículos – Dr. Marcelo Farinha, Dr. Paulo Emiliano e Dr. Domingos Sávio. Uma verdadeira gangue de marginais e propineiros do seguimento médico, pois os três têm a capacidade de ligar nas empresas distribuidoras e impor os preços para as cirurgias, e ainda falam quando e como a empresa vai cobrar por determinada cirurgia e acompanham quais os convênios estão pagando melhor. Por fim, falarei do seguimento em Taguatinga, que é tão contaminado que os médicos têm equipes fechadas, uma espécie de clube da corrupção. Esse grupo dita regras as empresas e ainda ameaçam os distribuidores que não seguirem suas regras. O Dr. Leandro Gervasoni é um dos líderes dessa quadrilha, um verdadeiro manipulador de mercado, forçando e ameaçando as empresas, ditando quem pode operar e fornecer material no Hospital Santa Marta, por exemplo. É do tipo que fala quem vai operar lá ou não, ou seja, só quem der propina para esse canalha é que entra. O Dr. Leandro Gervasoni tem rolo com uma empresa de Belo Horizonte que agora está atuando em Brasília também, chamada Detra Implantes, que já teve uma série de problemas em Uberlândia, e fundou aqui a Implanew, empresa de esquema desse médico. No Hospital Anchieta tem um médico mal visto por todos de Brasília, devido ao número de cirurgias mal indicadas e pela forma dele cobrar propina de todas as empresas, Dr. Lúcio Gusmão – médico do Anchieta e Daher. Cabe falar também do Dr. Marco Aurélio, da equipe do Dr. Lúcio, esse é ainda pior, pois, segundo o mercado, sua esposa é policial e ainda acoberta o marido nessas questões. Para finalizar algumas últimas questões: • Por que estou fazendo esta denúncia? Por ter trabalhado nesse mercado e conhecer bem como tudo funciona. Não adianta punir os fornecedores apenas. Os médicos corruptos deverão ser punidos também, ou a CPI da Máfia das Próteses de nada servirá. Atentem que os médicos tem o poder de manipular o objeto principal deste ciclo, o pacientes; • Muitos médicos exigem passagem e hospedagem para participar de congressos, onde nem pisam no evento. Com isso ficam defasados. Eu já presenciei casos onde o médico não conseguiu implantar a prótese no pacientes e, no momento de desespero, o vendedor (que conhece o produto como ninguém) é que fez o implante; • Devido à minha angústia fui à campo pesquisar o mercado e pasmem, a média de custo de cada cirurgia fica distribuída da seguinte forma: 30% de propina para médico; 30% de taxa cobrada pelos hospitais (que no fim das contas é propina também); 25% de custos operacionais e impostos; e apenas 15% é a margem de lucro.

Espero ter contribuído. Infelizmente não posso me identificar, pois temo pela minha integridade e de minha família. Leiam acima !!!!! Importante!!!! Não vai da em nada.