O PESO DE VIVER

07/08/2011  -  21:42

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Por Dalila Lemos

 

Momentos de luta na academia. A personal trainer recomendou que não controlasse o peso em uma balança diferente a cada dia. Disse apenas que haveria distinção entre uma ou outra, mas não conseguiu ser mais precisa.

No dia em que necessitei ir ao médico, o doutor quis me pesar. Eu consenti, mas fui obrigada a pedir que não me falasse, apenas anotasse o peso. Dessa forma, sem hesitar, ele atendeu meu pedido.

          A caminho de casa uma curiosidade me consumia. Tinha o desejo de retornar ao consultório e ler fixamente quantos quilos foram anotados à caneta naquela ficha abominável. Mas não o fiz. E com passos lentos concluí minha caminhada.

        O início da manhã seguinte se resumiu a uma corrida intensa que durou 60 minutos. Exausta, selecionei no celular algumas músicas calmas para ouvir enquanto o ônibus me conduzia até a cidade onde trabalho. Fugindo do habitual, não consegui adormecer. Pensava apenas na agenda lotada de compromissos e nas horas estressantes que viriam ao meu encontro.

         Funcionários chegavam e saíam. Eu permanecia entre o ‘bom dia’ e o ‘boa tarde’ de alguns. Temia que o tempo não fosse suficiente para cumprir todas as obrigações... e temia com motivo, pois minha curiosidade só aumentou quando descobri que os instrumentos de medição de massa devem ser regulamentados e fiscalizados pelo INMETRO, constituindo ato passível de punição no caso da não-homologação.

         Depois dessa, o circo estava armado: pisei em um objeto de uso comercial e em outro de uso biomédico sem ao menos saber qual deles foi fiscalizado, tampouco a maldita diferença entre ambos. Precisava informar minha personal trainer com urgência! E quanto mais pensava nisso, mais tarefas surgiam.

        Logo percebi que a academia ficaria para outro dia. Havia excedido meu horário e eu ainda tinha muito que fazer. Quando por fim me adaptei a esse fato, consegui concluir todo o serviço e decidi comer alguma coisa enquanto a condução não chegava.Cansada de barulho e agitação, fui ao refeitório apenas comprar um amendoim e procurei companhia para come-lo ao ar livre.

       Já estava escurecendo... não simplesmente, mas de uma forma mágica. O céu parecia uma paleta de cores que tingia as montanhas, as nuvens estavam baixas, a primeira estrela que surgiu era coincidentemente a que mais brilhava. “- Tem gente que não se importa, não entende a essência da natureza”: foi o que ouvi.

      Olhando a cidade por cima, finalmente encontrei a resposta: a diferença entre uma balança e outra é questão de opção. Há quem escolha pesar o corpo, outros, a alma. Eu escolhi pesar a vida, pois às vezes é preciso contar estrelas com um amigo, contar segredos, guardar silêncio. É preciso se aproximar mais da simplicidade e valorizar os momentos que te façam ir embora apenas com um sorriso no rosto e alguns quilos de felicidade.

 

*Dalila Lemos, tem 20 anos, é jornalista, escreve no Portal da TV Rio Sul - Filiada da TV Globo, em Resende/RJ, no Vale do Paraíba.

 

Enviado por: Sheila Aragão  07/08/2011 - 21:42