Guerra de Dossiês abala campanha Presidencial

28/05/2010  -  15:55

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Por Mino Pedrosa

Na tarde desta quinta-feira, 27, na Academia de Tênis de Brasília, uma conversa, por trás de um biombo no restaurante japonês, detonou uma guerra surda na campanha de Dilma Rousseff. O papo reservado entre o jornalista Amauri Ribeiro Jr. e o coordenador de imprensa da campanha de Dilma Rousseff, Luiz Lanzetta,  presenciado pelo senador Gim Argelo (PTB-DF), pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e este jornalista, revelou um duro golpe que abalou fortemente a candidatura de José Serra.
Amauri usava um quarto de hotel como bunker petista, quando foi surpreendido por arapongas, ligados à própria campanha de Dilma, comandados pelo coordenador de Comunicação, Rui Falcão. Os aloprados, flagrados pelas câmeras de segurança do hotel (fitas em poder do PSDB), roubaram o notebook, que armazenava os documentos do dossiê explosivo da Operação Satiagraha . Detalhes da Operação, que adormeciam no cofre do delegado federal, Protógenes Queiroz, aguardando o momento eleitoral propício para ser utilizado, começou a aparecer fora de hora. Ameaçado, o delegado, que quase foi parar na prisão, comentou na ocasião:  “Aí tem arsenal para destruir o governo passado, o atual e também o próximo”. Protógenes não brincava. O dossiê atinge os três: FHC, Lula e Serra, necessariamente nesta ordem.
O dossiê, em posse do PSDB, tem flagrante de Lulinha em sociedade com o cunhado de Daniel Dantas, Carlos Rotemburgo, em fazendas e animais.
No encontro, desta quinta-feira, no restaurante japonês, Lanzetta, aparentemente tenso, puxou para trás do biombo, um Amauri visivelmente temeroso pela represália dos tucanos.  Lanzetta havia contratado Amauri, que tem um perfil investigativo, para tentar ceifar a candidatura de José Serra. Amauri tem como fonte um grupo seleto da comunidade de informação e recebeu um farto material suprimido da Operação Satiagraha para ser utilizado na campanha presidencial. Os documentos comprometem a candidatura de José Serra.
O HD do notebook de Amauri guardava uma bomba: Verônica Serra, filha do candidato tucano,  atuando no esquema de corrupção em privatizações e suas relações perigosas com o banqueiro Daniel Dantas. As informações roubadas chegaram às mãos do jornalista Policarpo Jr., diretor da revista Veja. 
Neste momento a história complicou: Lanzetta precisava dividir a batata quente que estava em suas mãos. Levou ao conhecimento de Dilma e do ministro Franklin Martins, que Rui Falcão estava agindo de forma covarde dentro da campanha. Questionado por Franklin, sobre a ação dos aloprados, Rui Falcão disse que ao visitar o bunker encontrou o notebook, tomou conhecimento do conteúdo explosivo e, em seguida, fez chegar à direção da maior revista brasileira, a atuação do “campanheiro”, Luiz Lanzetta. Curiosamente a Veja não publicou nada, até agora.
PT  contra-ataca
arquivo
A cúpula petista ensaiou uma versão para alcançar o possível candidato à vice na chapa tucana, o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves. A versão apresentada pela cúpula petista liga o coordenador da campanha de Dilma, Fernando Pimentel, aos novos aloprados.
Pimentel colocou Luiz Lanzetta dentro da campanha de Dilma, a contragosto de Rui Falcão. O jornalista Amauri Ribeiro Jr., mineiro e amigo de Lanzetta e Pimentel, se defende dizendo que os novos aloprados vão prejudicar a campanha de Dilma Rousseff. Amauri garante que está escrevendo um livro e que não se trata de um dossiê de campanha. Mas, a realidade é que a bomba, ou dossiê, chegou ao conhecimento do ninho tucano e abalou a candidatura de Serra. A revista Veja foi contatada pelos tucanos, que tentam desativar a bomba.
A principal personagem do problema tucano é Verônica Serra, envolvida em movimentação financeira, corrupção em privatizações e ligação direta com o banqueiro Daniel Dantas. O clima na campanha de Serra está péssimo! O articulador Eduardo Jorge está em Brasília em reuniões pela madrugada com a cúpula tucana tentando evitar o desastre. Tucanos, em revoada, ameaçam contra-atracar com o dossiê Amauri que também compromete a cúpula petista.
Por outro lado, Franklin Martins tenta amenizar o desgaste entre Lanzeta e Falcão. A briga entre os dois é visível. Ninguém consegue mais esconder. O clima contaminou completamente a campanha de Dilma Rousseff. O ministro Franklin Martins está o tempo todo ao lado de Dilma buscando abafar o caso.
Amauri Ribeiro Jr. diz que está escrevendo um livro e que não estava a serviço da Dilma. Mas a revista Veja procurou Amauri e gravou conversa comprometedora para a campanha petista. Enquanto isso, a cúpula petista identificou que o notebook roubado pertence ao jornal O Estado de Minas, e tenta ligar Amauri ao ex-governador Aécio Neves. Mas o condômino e diretor do jornal, Josemar Gimenez, confirma a versão de que Amauri está escrevendo um livro no tal notebook. Vai ser difícil o presidente Lula dessa vez dizer que não sabia de nada. Até porque, o ministro Franklin Martins contou para ele a ação dos novos aloprados. 
Tucanos prontos pra guerra
Arquivo
Nesse jogo, a cúpula tucana tem nas sombras a atuação do velho conhecido Marcos Valério , abastecendo o PSDB com documentos comprometedores para os petistas. Na última quarta-feira, o PSDB mandou um recado para Dilma. “Se for este o caminho, estamos prontos para a guerra!”
Tudo parece estar sob controle, mas o que os petistas não sabem é que os arapongas aloprados estão eufóricos. E já começam a circular com o tão esperado dossiê Verônica.  Por outro lado, cabe lembrar, que tramita na Justiça de São Paulo as investigações do inquérito da Brasil Telecom feito pela Polícia Civil sobre Daniel Dantas, que compromete profundamente a cúpula petista. E este pacote está no controle do PSDB.
Em época de eleição o comércio de dossiês ganha força e o dinheiro como sempre fala mais alto. José Serra aparece no dossiê Verônica com um telhado de vidro. E a cúpula petista teme que venha à tona a verdadeira história dos aloprados na campanha de Lula através do dossiê Amauri.
Em 2006, na tentativa de destruir José Serra, o ex-governador Orestes Quércia e o senador  Aloizio Mercadante montaram a trama de um dossiê divulgado pela revista Isto É, através dos irmãos Vedoim. O dossiê foi colocado no programa eleitoral do então candidato ao Governo de São Paulo,  Aloizio Mercadante. Quércia é apontado nas investigações do Ministério Público como dono dos recursos flagrados nas mãos daqueles, batizados pelo presidente Lula na ocasião de aloprados. O dossiê, se bem sucedido, sentava Mercadante na cadeira do Palácio dos Bandeirantes.
As investigações do Ministério Público encontraram indícios da participação de Quércia e Mercadante. O processo se arrasta e pode ganhar força caso venha à tona o dossiê Verônica. 
Em 2006, Quércia e Mercadante procuraram a revista IstoÉ para divulgar o tal dossiê. A revista fez uma entrevista com os irmãos Vedoim e publicou. A matéria foi usada no programa eleitoral de Mercadante antes mesmo de circular a edição. O procurador do ministério Público, Mário Lúcio Avelar, tem em mãos depoimentos do primeiro episódio dos aloprados que comprometem a cúpula petista.
O imbróglio é total. Como diriam os antigos: neste angu tem caroço! Petistas e Tucanos em pé de guerra prometem esquentar a campanha presidencial de 2010 levando à tona o maior escândalo na história. Enquanto isso, Marina Silva assiste de camarote esta guerra recheada de detalhes sórdidos.
 

Enviado por: Mino Pedrosa  28/05/2010 - 15:55