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Balanço da CPI do Cachoeira revela que metade dos depoentes ficaram calados.

18/07/201215:58

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O presidente da CPI do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), fez nesta quarta-feira (18) um balanço dos trabalhos realizados no primeiro semestre pela comissão que investiga as relações do contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com agentes públicos e privados.

Instalada em 25 de abril, a CPI realizou até ontem –último dia antes do recesso parlamentar– 21 reuniões, das quais  14 foram destinadas a ouvir testemunhas do caso. Das 24 pessoas chamadas, apenas nove falaram, duas deram depoimentos considerados parciais e outras 13 não se manifestaram perante a comissão. 

Com relação aos requerimentos –que vão desde pedidos de quebra de sigilo até convocação e testemunhas– foram apresentados 745, dos quais 480 foram aprovados e cinco rejeitados.  Os demais serão analisados nas próximas reuniões administrativas da comissão.

Segundo o presidente da CPI, a relação completa da agenda de atividades de agosto só deve sair na próxima semana. Ele adiantou que as reuniões no próximo semestre serão feitas às terças e quartas-feiras de agosto.

Vital do Rêgo afirmou que ele e o relator da comissão, o deputado Odair Cunha (PT-MG), ficarão durante o recesso parlamentar trabalhando sobre os dados de quebras de sigilos fiscais, telefônicos e bancários dos envolvidos e cruzando as informações dos depoimentos com as mais de 2.000 horas de gravação feita pela Polícia Federal por meio de interceptações telefônicas. "A riqueza desta CPI está na sala-cofre", resumiu o presidente em referência ao local onde os documentos da comissão estão guardados. 

Os trabalhos da CPI se encerram em 4 de novembro, mas podem ser prorrogados  por mais seis meses.

 

Disputa PT x PSDB

Vital do Rêgo afirmou que a disputa política entre PT e PSDB não vai atrapalhar os trabalhos da comissão. Entre os investigados estão tanto integrantes do PT, como o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, quanto do PSDB, como o governador de Goiás, Marconi Perillo.

“[A disputa] não vai inviabilizar, a presidência vai conduzir para que a questão política não atrapalhe a eficiência dos trabalhos”, afirmou em entrevista coletiva sobre o balanço dos trabalhos da comissão no primeiro semestre deste ano. 

Depois de reportagem da revista “Época” deste fim de semana e a apresentação de um requerimento para a CPI convocar novamente Perillo, a cúpula do PSDB se reuniu ontem (17). A reportagem mostra que o governador teria recebido propina para liberar o pagamento de créditos devidos pelo governo de Goiás à empreiteira Delta Construções, suspeita de envolvimento no esquema. O acerto teria ocorrido por meio da venda da casa do Perillo, onde Cachoeira foi preso pela Polícia Federal.

 

A legenda mostrou unidade e acusou a CPI de direcionar as atenções de seus trabalhos para o tucano para, assim, tirar o foco dos envolvidos do PT e do julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), que começa em agosto.

"Querem chamar pessoas ligadas ao PSDB na CPI em agosto para tirar o foco do mensalão", afirmou ontem o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). Além disso, os tucanos protestaram que, entre os convocados para depor, havia mais pessoas ligadas a Perillo do que Agnelo. E criticaram o fato de o relator da comissão ser petista.

O presidente da CPI, por sua vez, não defendeu a reconvocação do Perillo, mas avaliou como imprescindível focar as atividades da suposta organização criminosa encabeçada por Cachoeira em Goiás.

“A geografia regional do fato determinado [atuação de Cachoeira] se impõe, a organização criminosa se instalou dentro do Estado de Goiás e as pessoas muito mais inquiridas são do Estado de Goiás”, afirmou.Ao ser indagado sobre a presença do suplente do senador cassado Demóstenes Torres (sem partido-GO), Wilder Morais (DE-GO) na CPI, Rêgo disse que não há prioridade para os próximos depoimentos.

Os depoimentos mais esperados pelos integrantes da comissão são quais os do ex-diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antônio Pagot, e do ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish. Na sequência, o senador mudou o tom e admitiu que “vai sim” ouvir primeiro quem quer falar em referência a Pagot.