Economia & Finanças

Diesel fica 15% mais barato a partir da meia-noite desta segunda-feira, 8

08/06/200920:18

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A Petrobras divulgou nesta segunda-feira, 8, reajustes nos preços da gasolina e do diesel cobrados nas refinarias. De acordo com o comunicado da estatal, o corte será de 4,5% no preço da gasolina e de 15% no diesel. Os preços começam a vigorar a partir da meia-noite desta terça. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, corrigiu, porém, o reajuste da gasolina, afirmando que o preço vai cair 5% na refinaria. De acordo com a Petrobras, os reajustes foram definidos "pela companhia levando em consideração os preços dos derivados vigentes no mercado internacional em uma perspectiva de médio e longo prazo, e estão em linha com as premissas definidas no Plano Estratégico da Petrobras". Além disso, o Ministério da Fazenda anunciou, em nota, uma elevação na Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide), para R$ 0,07 em cada litro de diesel e R$ 0,23 em cada litro de gasolina.

          Segundo a nota, a nova alíquota vigente do diesel é a mesma que valia até 30 de abril de 2008. Já no caso da gasolina, a alíquota não foi restaurada plenamente, para evitar uma elevação ao preço ao consumidor. "Dessa forma, como no ano anterior, o reajuste da gasolina por parte da Petrobras e a correspondente elevação da Cide não devem alterar o preço desse combustível adquirido pelas distribuidoras, de forma que o preço ao consumidor também não deve alteração. Evita-se, assim, oscilações no preço da gasolina", diz a nota.

          "Já no caso do diesel, mesmo com a restauração do valor da Cide, a redução do preço praticada pela Petrobras fará com que o preço pago pelas distribuidoras de combustíveis sofra redução média de 10,6%, o que significaria queda no preço ao consumidor final, em média, de 9,6%, já considerando o impacto da elevação da mistura do biodiesel de 3% para 4% a partir de 1º de julho de 2009", acrescenta a nota.

SETOR AGRÍCOLA

           Segundo Mantega, a redução do preço é importante, porque "o diesel é um combustível importante para a economia brasileira. É importante para o setor agrícola, que se movimenta com o diesel, é importante para o transporte urbano. Daí a importância dessa redução de preço".

          Mantega lembrou que o movimento significará redução do custo para esse setor e, portanto, a redução da inflação prevista para o futuro. O ministro disse ainda esperar que a Petrobras consiga comunicar aos seus fornecedores a tempo de os novos preços já estarem valendo a partir de amanhã na bomba.

          Com relação aos preços da gasolina, diferente do anunciado pela Petrobras, Mantega disse que eles cairão 5% na refinaria. "Estou anunciando a redução do preço da gasolina em 5% e em 15% do diesel, na refinaria. Mas, em compensação vamos recompor a CIDE da gasolina na mesma proporção que ela caiu, que é de 5%. Então vamos acrescentar R$ 0,05 da CIDE de forma que o preço da gasolina ficará igual na bomba", explicou o ministro.

          "É o inverso do que houve no ano passado, quando o preço da gasolina subiu e baixamos a Cide e ela (gasolina) ficou, para o consumidor, no mesmo preço. O aumento da Cide significará aumento de recursos para Estados e municípios", explicou o ministro, acrescentando que a estimativa de quanto será esse aumento para Estados e municípios ainda será informada.

CPI DA PETROBRAS

          O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirmou nesta segunda que a queda no preço da gasolina e do diesel não tem relação com a instalação da CPI no Senado para investigar a estatal. "Não tem nada a ver com a CPI", disse o executivo durante a gravação do Programa Roda Viva, da TV Cultura. "É uma decisão tomada hoje que tem fundamento econômico", disse. Segundo Gabrielli, a redução é a diferença entre os preços praticados hoje pela estatal e as perspectivas futuras da empresa para o comportamento do preço dos combustíveis no mercado internacional.

          Ele afirmou que o cálculo do preço da gasolina e do diesel considera o câmbio futuro, preço do petróleo no mercado futuro, perspectivas para a gasolina no mercado internacional e, consequentemente, a possibilidade de outros concorrentes em distribuição no Brasil começarem a importar gasolina, devido à diferença entre os preços internacionais e internos.

         Gabrielli disse também que a estatal não promoveu reajustes anteriormente porque aguardava uma definição mais clara do movimento dos combustíveis no futuro.

         Questionado pelos jornalistas sobre o momento do anúncio, que ocorre em meio à criação de uma CPI e seguidas denúncias apresentadas pela imprensa, o executivo respondeu: "a Petrobras não está sendo bombardeada pelo preço da gasolina". (Maurício Nogueira)