Economia & Finanças

FGC anuncia rombo 139% maior no Cruzeiro do Sul

14/08/201222:38

Twitter  Facebook imprimir enviar para amigo comente essa notícia

Foto: reuters

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) informou nesta terça-feira que elevou em quase 139% o rombo estimado no Banco Cruzeiro do Sul. Após uma série de ajustes patrimoniais, como, por exemplo, um novo cálculo das provisões para cobrir calotes e processos judiciais, além de créditos consignados fictícios; o prejuízo estimado saltou de um valor inicialmente contabilizado em 1,3 bilhão de reais para 3,11 bilhões de reais. Com essa nova cifra, o patrimônio do banco, que era de 1,15 bilhão de reais fica negativo em 2,23 bilhões de reais.  "Fizemos todo o levantamento possível, trabalhamos exaustivamente na verificação de cada linha do balanço e chegamos a um ajuste total de R$ 3,110 bilhões", disse Celso Antunes, indicado pelo FGC para assumir a direção do Cruzeiro do Sul.

Em 3 de junho, o Banco Central (BC) decretou intervenção na instituição financeira carioca, que foi colocada sob Regime de Administração Especial Temporária (Raet). A medida ocorreu depois de ter sido identificado o comprometimento da situação econômico-financeira do banco e "grave violação de normas" pela instituição. A decisão implicou o afastamento dos controladores – a família Índio da Costa – da gestão e a passagem ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), instituição criada com objetivo de proteger os depósitos dos clientes do sistema financeiro.

"Socialização" – Para cobrir o rombo bilionário do Cruzeiro do Sul, o FGC propôs nesta terça-feira a "socialização" dos prejuízos, em que investidores que compraram títulos do banco aceitem perder, em média, 49,3% do que esperavam receber. A oferta, que será formalizada nesta quarta-feira, está condicionada a uma adesão de 90% dos credores e que apareça um comprador para o Cruzeiro do Sul. Os credores externos têm 3,3 bilhões de reais em papéis do banco, enquanto os credores locais, 430 milhões de reais. O FGC cobrirá o passivo relativo a linha DPGE e depósitos de até 70 mil reais. 

Detalhamento – O FGC fará a oferta de compra de dívida com deságio de 49% para pagar apenas parte do rombo, isto é, 2,23 bilhões de reais – suficiente para zera o patrimônio. "Duvido que não haja interessados. Eu não perderia uma oprtunidade dessas", disse o diretor executivo do FGC, Antonio Carlos Bueno.

A proposta de compra de títulos considera o prazo de maturação de cada uma das séries das emissões, sua participação relativa no passivo do Cruzeiro do Sul e sua senioridade. O FGC contratou o HSBC e o Bank of America Merrill Lynch como coordenadores da operação. 

Para a finalização da oferta existem duas condições cumulativas: a adesão de no mínimo 90% dos valores dos papéis objeto das ofertas e a obtenção de proposta firme de compra do controle da instituição por parte de outra instituição autorizada a funcionar no mercado pelo BC. Caso qualquer das condições não seja cumprida, a operação será automaticamente cancelada – situação na qual o FGC recomendará ao Banco Central a imediata liquidação extrajudicial da instituição.

Cronograma – Segundo o cronograma estabelecido pelo FGC, a partir desta quarta-feira os dados das contas do Cruzeiro do Sul estarão à disposição dos interessados. As propostas serão recebidas em 10 de setembro. “Ate lá, tudo roda normalmente, tudo que vencer será pago, nada muda”, afirmou Antunes.

A oferta tem prazo de encerramento previsto para 12 de setembro. O FGC está ofertando também a possibilidade de aquisição do controle acionário do banco às instituições ou conglomerados financeiros já em funcionamento no país e que preencham determinados requisitos.

Dessa forma, a soma dos deságios aplicados a todos os credores, caso se obtenha sucesso nas operações, será de valor equivalente ao patrimônio líquido negativo apurado no balanço especial de abertura, ou seja, 2,236 bilhões de reais, a ser acrescido dos custos incorridos na operação.

Assim, diz o FGC, o ônus pela eliminação do patrimônio liquido negativo será "socializado", isto, será equitativamente distribuído entre credores externos, credores internos não garantidos ou garantidos parcialmente e o fundo.

(com Agência Estado)