Mino Pedrosa

O PESO DA PALAVRA

31/05/201216:32

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O que poderia ser apenas uma reunião de trabalho de um projeto de Gilmar Mendes em parceria com Nelson Jobim sobre a reconstrução histórica da Assembleia Nacional Constituinte virou um escândalo envolvendo o Supremo Tribunal Federal e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Às vésperas do julgamento do que foi considerado o maior escândalo político do Brasil, o Mensalão do PT, uma conversa nada ortodoxa entre  ex-presidente e o ministro do STF Gilmar Mendes, testemunhada por  Nelson Jobim apresentou ao país, uma face de Lula que pouquíssimas pessoas conhecem.
A vingança por não ser atendido em seus “pedidos”, desperta em Lula uma personalidade compulsiva no falar. O ex-presidente dispara veneno contra as vítimas que não quiseram atende-lo falando inverdades pelos bastidores políticos. Escolhe a dedo mensageiros  para plantar a discórdia, sem mostrar a sua face.
Foi assim a conversa com o ministro Gilmar Mendes querendo adiar o julgamento do Mensalão do PT. O argumento usado foi a “preocupação” com o possível envolvimento de Gilmar Mendes na CPI de Carlinhos Cachoeira. Lula falou com o ministro sobre uma “certa viagem a Berlim”. O recado era direto para Mendes. O ex-presidente deixou claro que estava muito bem informado dos bastidores da CPI, além de ter informações privilegiadas.
Gilmar Mendes entendeu o recado. Como já estava vacinado com uma outra história envolvendo um colega que presidia o STJ ( Superior Tribunal de Justiça) ministro Cesar Asfor Rocha, se antecipou e falou para a Revista Veja a proposta indecorosa que Lula tinha feito.
Quando a revista chegou às bancas e o assunto veio à publico Lula e o PT divulgaram nota oficial dizendo que eram inverdades da Veja. Mas, logo após, Gilmar Mendes confirmou em coletiva a imprensa o que tinha sido falado entre quatro paredes no escritório de Nelson Jobim.
O PT tratou de desmentir novamente o ministro do Supremo dizendo que Lula nunca usou este artifício, nem quando era a maior autoridade do país.
Mentira!
A revista Veja publicou em abril do ano passado a semelhante história que envolvia o presidente do STJ Cesar Asfor Rocha e o mesmo Lula. 
Leiam os detalhes da reportagem de Reinaldo Azevedo na ocasião:
 
 

“Faço aqui uma síntese da reportagem de Policarpo Junior na Veja desta semana. Vejam o grau de delinquência intelectual, moral e política a que ficou submetida nada menos do que a escolha de um dos 11 membros de nossa corte suprema.

 

 

Em fevereiro do ano passado, o então presidente Lula convidou Asfor Rocha, à época presidente do STJ, para uma audiência no Palácio do Planalto. Conversaram sobre isso e aquilo, e o Babalorixá de Banânia informou ao magistrado que o indicaria para a vaga no Supremo, que seria aberta com a aposentadoria do ministro Eros Grau, que faria 70 anos em agosto. Em novembro, numa reunião na casa de José Sarney (PMDB-AP), Asfor pediu que o senador enviasse uma mensagem a Lula: não aceitava mais a nomeação porque se sentia atingido em sua honra. Que diabo havia acontecido?

 

 

Policarpo joga luzes numa história escandalosa. Lula, o próprio, passou a alardear aos quatro ventos que Asfor havia pedido dinheiro para dar um voto numa causa, teria recebido a grana — R$ 500 mil —, mas não teria votado conforme o prometido. Contou a mesma história a um ministro, a um ex-ministro, a um governador e a um advogado muito influente de Brasília. Todos ficaram estarrecidos. Terá sido mesmo assim? E como o presidente teria sabido da história? Ela lhe fora relatada por Roberto Teixeira — sim, ele mesmo, o primeiro-compadre, que atuara no caso como “consultor da empresa”.

 

 

Prestem atenção! Teixeira — amigo de Lula, seu compadre e seu advogado — lhe teria relatado, então, que atuara para comprar o voto de um ministro do STJ. Pior: teria conseguido. Fosse verdade, o presidente da República estava conversando, então, com um corruptor ativo, que se declarava ali, na sua frente. Sua obrigação era chamar a Polícia. Ainda fazendo de conta que a história é verdadeira, o presidente houve por bem não nomear Asfor Rocha. O resto, então, ele teria considerado normal.

 

 

Inverossimilhanças e verdades
A história de que Asfor pediu propina ao primeiro-compadre, recebeu o dinheiro, mas não entregou o prometido é, para dizer o mínimo, inverossímil. Ainda que Asfor fosse um larápio, burro ele não é. Saberia que estava se fazendo refém de Teixeira e, obviamente, de Lula. Se algum juiz quiser se comportar como um safado, há personagens menos “perigosas” na República com que se envolver. Mas há alguma sombra de verdade na possível mentira? Há, sim. E é aí que as coisas pioram bastante.

 

 

Teixeira esteve, sim, com Asfor Rocha. O encontro aconteceu no dia 3 de agosto do ano passado. Apresentou-se como defensor da Fertilizantes Heringer S/A, embora não fosse o advogado legalmente constituído da empresa — segunda a direção da dita-cuja, ele era um “consultor”. De quê? Teixeira, diga-se, costuma aparecer nesse estranho papel. Nessa condição, a Ordem dos Advogados do Brasil não pode lhe censurar os métodos — se é que censuraria, né?. A OAB foi OAB um dia… Uma unidade da Heringer tinha sido impedida de funcionar porque jogava poluentes no meio ambiente. Teixeira informou ao ministro que havia entrado com um recurso no tribunal para suspender um julgamento contrário à empresa. Pois bem: um mês depois, relator do caso, Asfor negou o recurso, sendo seguido pelos outros dez da corte especial do STJ.

 

 

E pronto! Foi assim que se tornou um quase-ministro do STF. O magistrado confirma tudo. Disse que tomou conhecimento da acusação por intermédio de um colega da magistratura: “Ele me disse que soubera de amigos do Palácio do Planalto que o presidente estava falando coisas absurdas a meu respeito.”

 

 
Ao tomar conhecimento do episódio, Cesar Asfor comunicou ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que não tinha mais interesse no posto e pediu a ele que informasse ao presidente Lula que se sentia atingido em sua “dignidade pessoal”.
Parece ou não com o que está acontecendo agora?