Miss mundo fala sobre como a beleza ajuda a mudar vidas

Manushi Chhillar ficou surpresa com a receptividade brasileira. Em sua primeira viagem ao Brasil, a miss mundo indiana está em Brasília para participar de um evento da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Distrito Federal (Apae-DF). Ontem, visitou a sede da instituição, na Asa Norte, e amanhã participará de um jantar beneficente na Hípica Hall. O evento faz parte do projeto Corações Vips — Noite Solidária da Apae e tem como objetivo arrecadar fundos para a organização. Toda a renda será revertida para o atendimento prestado aos mais de 500 deficientes intelectuais os quais a instituição assiste. Manushi é o rosto do slogan “Beleza com propósito”, uma das ideias que guia as ações do Concurso Miss Mundo.
Filha de um cientista e de uma médica, Manushi sonhava ser miss mundo na mesma proporção em que sonhava estudar medicina. Ela considera que os dois títulos são instrumentos para ajudar pessoas e é com esse propósito que ela viaja o mundo emprestando a imagem de princesa a instituições que trabalham com inclusão, educação, saúde e todo tipo de trabalho social. “Quando me tornei miss mundo, de repente percebi que todos estavam olhando para mim e que tudo que eu fazia tinha um impacto”, conta. “No começo me deu medo, porque é muita responsabilidade, mas depois pensei que poderia fazer muito mais.”

Durante o evento na Apae-DF, Manushi foi acompanhada pelo inglês Steve Douglas, produtor do Concurso Miss Mundo; Henrique Fontes, diretor do Miss Brasil; Gabrielle Vilela, atual miss Brasil; e Carlos Franco, o Mister World Brasil. A miss Brasília, Isabela Schott, e o mister Brasília, Jesus de Lima, também acompanharam o grupo. É uma comitiva que atrai olhares e provoca frissons, mas que também pode ajudar a chamar a atenção para questões como inclusão social e discriminação.

É nessa equação que Manushi, 20 anos, acredita. Estudante de medicina na Bhagat Phool Singh Medical College, no estado de Haryana (Índia), ela viaja o mundo pelo programa Beleza com um propósito, lema do concurso. “O concurso de Miss Mundo não sou só eu, é uma organização enorme que trabalha dia e noite para melhorar a vida de muitas pessoas”, explica. Projetos sociais se tornaram mais presentes na vida da estudante depois de vencer o concurso, mas antes ela participara de algumas ações enquanto aluna de medicina, como um programa de higiene menstrual desenvolvido em aldeias indianas.
Nativa de um país com mais de 1,3 bilhão de pessoas, das quais cerca de 36% são analfabetas, que ocupa do 130º lugar no rankiug de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) numa lista de 180 nações, Manushi sabe que a desigualdade vem acompanhada de pobreza, por isso encara o título como um trabalho capaz de mudar vidas.

Quatro perguntas para a miss mundo Manushi Chhillar

Beleza é importante?
Acho que beleza é importante em qualquer lugar e no mundo inteiro, mas como Miss Mundo você percebe que beleza é mais sobre trocar, compartilhar e sobre confiança. Uma pessoa confiante e sincera, que espera sinceridade dos outros, parece bonita para qualquer pessoa e, ao menos para mim, isso é que é beleza. E isso é importante em qualquer lugar, porque uma vez que você tem confiança em você mesma, nada neste mundo pode te parar.
 
Sua mãe é médica, seu pai é cientista e você estuda medicina. Por que você se interessou por concursos de beleza?
Acho que por qualquer outra razão, mas mais que isso, porque era meu sonho ser Miss Mundo. E também sonho ser médica. Para mim, é um concurso bonito, mas não é um concurso de beleza. Não é sobre aparência, é sobre quem você é e como você pode usar sua beleza para um propósito.

O que é beleza com propósito para você?
Para mim é um estilo de vida, porque, quando você faz o bem para os outros, faz o bem para você mesma. E quanto mais você faz, mais quer fazer, é muito viciante. Eu sabia que queria fazer o bem. Se as pessoas incorporassem esse conceito de beleza com propósito em suas vidas e fizessem alguma coisa cada vez que falassem sobre desigualdade, exclusão, discriminação, acho que essas coisas nem existiriam, porque cada um acreditaria no outro e em ajudar o outro.
E como não se deslumbrar com a beleza e o que traz um concurso como esse?
Não deixando de ser quem você é. Precisamos nos dar conta que, no fim do dia, sua beleza vai fenecer e que o conceito de beleza é uma coisa que pode mudar. Mas quem você é como pessoa, o que você fez, como você exercita seu cérebro, o que você sente em seu coração, é o que vai ficar na sua vida. Quando você entende isso, a aparência externa não faz diferença.
Fonte: Quidnovi/Correio Braziliense