Licitação bilionária: a queda do bastão do PT para as mãos do PSB

Por Mino Pedrosa

O esquema bilionário na área de transporte coletivo em todo Brasil, comandado em grande parte pelo Partido dos Trabalhadores (PT), hoje está nas mãos do Partido Socialista Brasileiro (PSB). O ex-governador do Espirito Santo, Renato Casa Grande que comanda o transporte coletivo no Espírito Santo, assumiu o comando também em Brasília.

A Polícia Civil do DF desbaratou o esquema sem o conhecer o alcance da fraude. As formiguinhas que trabalhavam no desvio milionário foram flagradas e tiveram a prisão decretada. Acontece que os depoimentos conduziram as investigações para as tanajuras do alto escalão do governo do DF. Diante desse impasse jurídico a denúncia alcançou o ex-Secretário de Mobilidade, Marcos Dantas, que por razão do cargo tinha foro privilegiado do Tribunal de Justiça (TJ). A Polícia do Distrito Federal só está fornecendo acesso a partes do inquérito. Com isso os advogados das formiguinhas estão peticionando na justiça o direito de conhecer o inquérito completo e descobrir quem são os tubarões que estão sendo deixado de lado e que pode causar a nulidade do processo. Os depoimentos levam ao ex-secretário, Marcos Dantas, mas, curiosamente as provas foram apartadas dos autos que tangenciam os líderes das fraudes comandadas por Renato Casa Grande, ex-governador do Espírito Santo, e um dos caciques do PSB.

O inquérito da Policia Civil do Distrito Federal que apura desvios milionários nos cofres do DFTrans já ultrapassa as 2000 páginas e está sendo monitorado com lupa pelo governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg.  O escândalo no DFTrans veio a baila, mas, está servindo de cortina de fumaça para encobrir um esquema, aí sim! bilionário na área do transporte coletivo no Estado de São Paulo. Envolvendo os mesmos protagonistas da fraude no certame do transporte coletivo de Brasília.

A PCDF prendeu dois advogados de João Pessoa que atuavam no esquema de desvios de recursos do DFTrans. O curioso foi a presença nas investigações do empresário Victor Foresti, genro de Nenê Constantino, representante do monopólio de empresas de ônibus em Brasília e que por enquanto está sendo poupado no inquérito juntamente com Léo Carlos Cruz, ex-diretor do DFTrans que sofreu buscas e apreensões e teve a sua exoneração do cargo logo após a divulgação do escândalo. Com ar de quem já sabia o que a Polícia teria encontrado o governador, Rodrigo Rollemberg, com a exoneração de Léo nas mãos, atuou no próprio final de semana das buscas. Outro que também está sendo poupado no inquérito da organização é o ex-secretário de Mobilidade, Marcos Dantas.

O grupo comandado pelo advogado Sacha Reck, seu pai Garrone Reck e seu irmão Alex Reck, foram responsáveis pelas fraudes no processo de licitação do transporte público do Distrito Federal em 2011.  Sacha Reck  foi preso na Operação Riquixá por participar de organização criminosa na concessão de transporte coletivo urbano. Os estudos de logística e edital de licitação do transporte público de Brasília foram elaborados pela Logitrans, empresa de Garrone Reck. A estimativa é de que o esquema rendesse R$ 10 bilhões para as empresas em dez anos, prazo da concessão, que poderia ser renovada por igual período.

Com as irregularidades no processo ocorrido a partir de 2011 e apresentadas pelo Ministério Público o juiz Lizandro Gomes Filho da 1ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal determinou a anulação da licitação em 25 de janeiro de 2016 e deu 180 dias para que o governo contratasse novas empresas de ônibus. De acordo com o magistrado o advogado Sacha Reck, atuou “ilicitamente na gestão e consultoria” do processo.  Além de Brasília o grupo é acusado de comandar o esquema de favorecimento em licitações para as empresas de transporte público ligadas a família Constantino, que controla a companhia aérea Gol, e também a família Gulin, no Paraná. Em delação premiada Sacha Reck confessou as fraudes e apontou Victor Foresti, como sendo o contato e representante das empresas vencedoras no certame que se beneficiaram das fraudes.

A Prefeitura de São Paulo lançou na madrugada desta terça-feira (24) o edital para concessão dos ônibus que prevê a reformulação das linhas, diminuindo em quase mil coletivos a quantidade total de veículos em circulação na cidade. O prazo de transição para que o novo modelo de ônibus seja implantado é de 3 anos. O contrato de concessão deve ser assinado até o fim deste ano. O valor do subsídio pago às empresas com recursos dos cofres públicos não irá mudar, de acordo com a Secretaria Municipal de Transportes, “O subsídio de R$ 2,9 bilhões continua. A tentativa é que com a eficiência do sistema diminua a questão do subsídio, mas pra esse modelo de hoje está mantido os R$ 2,9 bilhões”, afirmou João Octaviano, secretário de transporte e mobilidade da prefeitura de São Paulo.

A fraude no Distrito Federal poderá impedir que as empresas do Grupo Constantino participem da licitação bilionária em São Paulo. Por isso o governador de Brasília Rodrigo Rollemberg do PSB atua nos bastidores para evitar a inabilidade das empresas de Constantino que com o apoio do atual governador de São Paulo, Márcio França do PSB paulista e o prefeito Bruno Covas, estão alinhados para emplacar o Grupo Constantino no certame bilionário de São Paulo.