Lava Jato: quem tem padrinho pode ir para prisão

Por Mino Pedrosa

O barulho das sirenes da Polícia Federal (PF) na manhã desta terça-feira (24) despertou também o empresário e pré-candidato ao senado no Distrito Federal, Paulo Octávio. O motivo: um dente da engrenagem da máquina de corrupção do Partido Progressista (PP). A Operação Lava Jato fez buscas e apreensões na casa e no gabinete do presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira.

O esquema corrupto do PP que alimenta várias campanhas eleitorais e o bolso da cúpula do partido em todo o Brasil foi desbaratado pela PF e a força tarefa com autorização do ministro relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. O PP montou um esquema para caixa2 em pelo menos cinco tentáculos no governo federal: Ministério da Saúde, Funasa, Caixa Econômica Federal, Funcef e Petrobrás.

Em Brasília o empresário Paulo Octávio se beneficia do esquema de poder do partido usando tráfico de influência e já garantiu verbas para pré-campanha de candidato ao senado com antecipações de alugueis de imóveis de sua propriedade no governo federal. Paulo Octávio recebeu mais de R$ 18.000.000,00 (dezoito milhões) por dez meses de adiantamento dos alugueis de três imóveis destinados ao SIPAT.

Os imóveis estão localizados na: SEP Norte Quadra 512 Lote 09 e 10 destinado a Administração Caixa SIPAT 12253 com adiantamento de 17.400.000,00 – no Sig, Quadra 01, Brasília-DF destinado a agência SIG SIPAT 13532, com antecipação de 296.289,00, e na SCLS 210 Bloco A Nº38 destinado a Agência 210 Sul SIPAT 7837 onde obteve um adiantamento de 511.840,00. Para camuflar o tráfico de influência foi negociado um desconto de 5,94% nos contratos. Acontece que o valor do metro quadrado em Brasília para aluguel em média é de 45,00 R$/m² e nesses imóveis o valor salta para quase 60,00 R$/m².

Publicação no Diário Oficial dos adiantamentos de aluguéis

Indicado pelo PP para assumir o Ministério da Saúde Ricardo Barros era o Padrinho de Paulo Octávio para abrir os cofres do ministério e dos órgãos ligados a pasta no governo federal. Com a saída de Barros assumiu a pasta o ex-presidente da Caixa Econômica Federal Gilberto Occhi que mantém o apadrinhamento ao empresário brasiliense. Paulo Octávio explora os tentáculos do partido: no Ministério da Saúde com a FUNASA, na CEF com o FUNCEF e na Petrobrás. Todos sob a batuta do Partido Progressista.

Aas benesses não são de agora. Em 2011 o Ministério Público denunciou o então vice-governador do DF por irregularidades na construção do Brasília Shopping o que gerou um prejuízo ao Fundo de pensão dos Funcionários da Caixa Econômica Federal (Funcef) em cerca de R$ 27 milhões. Com o tráfico de influência o empresário construiu um império usando o Fundo de Pensão dos Funcionários da caixa Econômica Federal e se beneficiando. Com a devassa no partido o empresário entra no olho do furacão nas investigações da Operação Lava Jato.

O alvo principal da Operação Lava Jato nesta terça-feira, é o presidente nacional do partido senador Ciro Nogueira e o deputado Eduardo da Fonte também do PP. Os dois são suspeitos de comprar o silêncio de um ex-assessor do senador que vem colaborando com a Justiça. O assessor detalhou que recebia o pagamento em espécie e quem repassava o dinheiro era o ex-deputado Márcio Junqueira.

Segundo os investigadores, o ex-assessor colabora com diversas investigações no âmbito da Lava Jato e teria sido ameaçado de morte. Por conta das ameaças, ele foi incluído no programa de proteção à testemunha. O deputado Eduardo da Fonte e o senador Ciro Nogueira já foram denunciados e são alvos de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF).

Eduardo da Fonte foi denunciado em setembro do ano passado por integrar o chamado “quadrilhão do PP”. O parlamentar também foi denunciado por ter participado de uma negociação para barrar uma eventual CPI da Petrobras no Congresso, mas o STF rejeitou a acusação. Além disso, foi investigado por corrupção e lavagem de dinheiro em um terceiro inquérito da Lava Jato, mas o caso foi arquivado em abril.

O senador e presidente do PP, Ciro Nogueira, foi denunciado em setembro do ano passado por integrar o chamado “quadrilhão do PP”, que supostamente teria corrompido dirigentes da Petrobras. A PGR o incluiu na lista após suspeitas de que o senador recebia repasses frequentes de verbas desviadas da Petrobras. Segundo delatores, ele chegou a liderar o esquema durante um período e seria o responsável por determinar como a propina deveria ser dividida entre os integrantes do PP.

O Partido Progressista é alvo desde o início da Operação Lava Jato. Com a ultima reforma ministerial do presidente Michel Temer, a legenda do senador Ciro Nogueira que tem a alcunha de “Cerrado” na lista de apelidos do ministro Fachin,  manteve o comando dos cobiçado ministérios da: Saúde, Cidades e Agricultura, além do comando da Caixa Econômica Federal.