Governo não explica obra em fazenda de Liliane Roriz

O governo de Goiás ignorou o pedido do Ministério Público local (MPGO) para prestar explicações sobre a possibilidade de a pavimentação da fazenda da deputada distrital Liliane Roriz (PTB) ter sido concluída com recursos públicos. A suspeita de a empresa contratada, por R$ 14,4 milhões, para asfaltar a GO-425 ter feito um “puxadinho” na propriedade da parlamentar foi noticiada pelo Metrópoles em novembro de 2017.

O MPGO pediu que a Agência Goiana de Transporte e Obras (Agetop) apresentasse documentos comprovando que o imóvel da distrital não foi beneficiado com verba pública. Em 30 de novembro, a promotora do Patrimônio Público de Goiânia, Marlene Nunes Freitas Bueno, encaminhou ao Executivo local uma representação cobrando a cópia do acordo firmado com a Eletro Hidro Ltda. (EHL), empresa contratada pela Agetop para pavimentar 12 quilômetros da GO-425.

Mesmo com mais de três semanas de prazo, a Agetop não apresentou documento algum. Para cumprir com os deveres legais, mandou apenas uma resposta referente aos termos da representação, mas o MPGO não ficou satisfeito. Agora, vai exigir novamente as cópias solicitadas.

O ofício foi concluído na quinta-feira (18/1) e despachado na sexta (19). A previsão é que chegue ao Palácio das Esmeraldas, sede do Executivo estadual,  nesta segunda-feira (22). A partir da entrega, o governo goiano terá 10 dias corridos para apresentar o contrato e a cópia da execução do serviço.

Versões
O Ministério Público de Goiás quer saber se obra de 1,5km realizada na entrada da fazenda de Liliane Roriz foi uma extensão da pavimentação da GO-425. Investiga ainda se houve favorecimento ilegal a partir de um contrato que envolve dinheiro tirado dos cofres do governo comandado por Marconi Perillo (PSDB-GO), aliado histórico do pai de Liliane, o ex-governador do DF Joaquim Roriz. Nos bastidores políticos, comenta-se que a benfeitoria é uma promessa antiga feita há anos por Perillo ao próprio Roriz.

Em um primeiro momento, a empresa afirmou que a obra realizada era particular e que a parlamentar havia pago pelo serviço. Após o pedido de comprovação dos pagamentos por meio de notas, outra versão dos fatos surgiu. O asfaltamento do trecho teria sido feito por meio de permuta prevista em contrato. A contrapartida para o serviço seria em cascalho. A EHL teria retirado o mineral de uma jazida da fazenda para uso na obra da GO-425.

O projeto que prevê a retirada do cascalho da propriedade de Liliane Roriz deveria ser público, pois embasou a licitação para a obra na GO-425, paga com dinheiro do Tesouro local. No entanto, nenhuma das partes envolvidas apresenta o documento.

A resposta da Agetop
Procurada pela reportagem, a Agetop afirmou que não é responsável pela obra na chácara, que fica próxima a Luziânia (GO). “Os contratos firmados entre as empresas e pessoas particulares não diz respeito ao órgão. A Agetop é responsável somente pelo contrato que, licitamente e por licitação, foi assinado entre a empresa e o órgão”, afirmou.

Mesmo com a negativa do Ministério Público, a estatal goiana disse que encaminhou todos os documentos necessários.

Procurada, a assessoria da deputada Liliane Roriz (PTB) não quis se pronunciar sobre o assunto.

Fonte: Metrópoles/Quidnovi