Festival Internacional de Dança “invade” Brasília por 16 dias

Pense em uma música. Agora tente não balançar a cabeça, o pé, ou mexer o ombro. Dançar é uma comunicação não verbal, e, além disso, é arte. Durante 16 dias de evento, o Movimento Internacional de Dança pretende reafirmar isso em sua quarta edição. A partir desta sexta, e até o dia 29, o maior encontro internacional do gênero na América Latina explora a diversidade técnica para colocar em pauta, na capital, uma das formas mais primárias de expressão corporal.

Tudo começou com um projeto criado por Sérgio Bacelar, ainda em 2009. Na época era chamado de “Movimento D”, e tinha como ideia principal movimentar a arte na capital. Hoje, focado em aproximar o público à dança contemporânea, o festival conta com a perspectiva de nove países para auxiliar no intercâmbio cultural.

Para Léo Hernandes, produtor do Movimento, o cenário brasiliense de dança é caracterizado pela retomada de poder. Dessa forma, o diferencial deste ano, além do tamanho, são os impactos da festa no cenário brasiliense. “Na programação existe uma parte voltada ao público infantil, com a peça Eufonia, por exemplo. Queremos que as pessoas aprendam, desde pequenas, à assistir dança contemporânea”, afirma.

Em meio a 30 atrações, é possível escolher entre solos, apresentações de dança contemporânea e de rua, batalhas de freestyle (estilo-livre, em tradução livre) e muito mais. Uma das exibições é Sacolas na Cabeça, da Cia de Dança Anti Status Quo, na qual o público também pode participar. “Realizado desde 2003, (o espetáculo) fala sobre a relação do corpo com a cidade. Máscaras são utilizadas como objetos que interagem como um bando sem identidade em uma atmosfera surreal”, conta Luciana Lara, fundadora e uma das coordenadoras do grupo.

A programação internacional inédita tem como destaque os espetáculos franceses Boomerang, para toda a família; o infantil Partituur e o adulto Black Belt. Compõem a programação latino-americana os espetáculos espanhóis And That’s Why I’m Here Today e I Leave The Lights On; os argentinos Isadora Sur e Acto Blanco; o colombiano Super Tejido Limbo; e Sordito, da Costa Rica. Red Belt representa Israel e a programação dos Solos de Stuttgart, da Alemanha, apresenta coreografias premiadas de artistas da França, Congo, Itália, Espanha e Eslovênia.

Homenagens

O MID também traz homenagem a dois grandes nomes no cenário de dança da capital: o francês Jean Pascal-Quiles e Yara de Cunto. “Vejo esta homenagem como uma extensão a todos os bailarinos, coreógrafos, diretores, produtores que trabalham com, e pela, dança em Brasília e que não desistem dos seus sonhos e de sua arte”, afirma a coreógrafa e bailarina.

Yara começou na dança em 1954. Quando questionada sobre as dificuldades de se trabalhar com a arte naquela época, ela dispara: “A palavra era preconceito, mesmo”. Apesar de ainda haver estigma, a dançarina acredita que hoje não é tão forte, mas ainda há muitas coisas a serem conquistadas. “Talvez seja pela falta de oportunidade, pelo mercado de trabalho escasso e pelo não reconhecimento da profissão de artista. Estamos na luta pelo atestado de legitimidade da profissão”.

Apesar das dificuldades, esperança é a palavra usada por Yara para definir o cenário de dança brasiliense. ”Tivemos momentos muito bons em meados dos anos 1980/90, com vários grupos de importância na cidade. Algumas esperanças, também, em 2000, quando surgiram grupos e trabalhos independentes e de pesquisa. Desde então as coisas que acontecem no DF são um curso superior de Dança”.

Fonte: Quidnovi/Jornal de Brasília