Famílias de mortos em protestos de 2013 ainda aguardam por decisões da Justiça

Mais do que reflexos políticos e sociais, para algumas famílias os protestos de junho trazem lembranças de dor e perda, além de muita espera. São os parentes das 10 pessoas que morreram em episódios relacionados aos atos e que, em alguns casos, ainda não viram os culpados serem penalizados.

Cinco anos depois dos protestos, em apenas um dos casos, o culpado foi identificado, julgado e está cumprindo pena.

A mãe do estudante Marcos Delefrate aguarda até hoje o julgamento do empresário que atropelou o jovem de 21 anos e mais 12 pessoas durante um protesto em Ribeirão Preto (SP).

“Está tudo do mesmo jeito. Fico pedindo a Deus que pelo menos ele vá a esse júri popular, a gente sabe que a nossa lei é bem lenta, é injusta também”, afirma.

O julgamento dos envolvidos na morte do caminhoneiro Renato Kranlow no Rio Grande do Sul está marcado para o dia 2 de agosto. A viúva diz que morte mudou a vida da família completamente e que até hoje não sabem dizer ao certo quem matou Renato.

Um mês após a morte da gari Cleonice Vieira de Morais, os filhos dela moveram uma ação contra o Estado e outra contra a Prefeitura de Belém. Até hoje não teve nenhuma decisão.

Veja as histórias:

‘Está tudo do mesmo jeito’, diz mãe de estudante atropelado em Ribeirão

Maria Rosenilda Delefrate cobra a condenação do empresário acusado de atropelar o filho Marcos Delefrate em Ribeirão Preto (Foto: Adriano Oliveira/G1)Maria Rosenilda Delefrate cobra a condenação do empresário acusado de atropelar o filho Marcos Delefrate em Ribeirão Preto (Foto: Adriano Oliveira/G1)

Maria Rosenilda Delefrate cobra a condenação do empresário acusado de atropelar o filho Marcos Delefrate em Ribeirão Preto (Foto: Adriano Oliveira/G1)

Cinco anos após a morte do estudante Marcos Delefrate, de 18 anos, a família ainda aguarda o júri do empresário acusado de atropelar o jovem durante um protesto em Ribeirão Preto no dia 20 de junho de 2013.

Em uma confusão num cruzamento da cidade, Marcos e outras 12 pessoas foram atingidas pela SUV blindada de Alexsandro Ichisato, que fugiu sem prestar socorro às vítimas e ficou foragido por um mês. Ele está preso atualmente, acusado de homicídio doloso – quando há intenção de matar.

“Está tudo do mesmo jeito. Fico pedindo a Deus que pelo menos ele vá a esse júri popular, a gente sabe que a nossa lei é bem lenta, é injusta também”, afirma a mãe de Marcos, Maria Roselina Delefrate. Leia a reportagem completa

Família de gari que morreu em Belém aguarda indenização do Estado

A gari Cleonice Vieira de Moraes morreu durante um protesto em Belém no dia 20 de junho de 2013. Ela se refugiou com um grupo de garis dentro de um prédio, onde foi parar uma das bombas disparadas pela PM para dispersar os manifestantes. Em contato com o gás e sem ter como sair do local, Cleonice teve cinco paradas cardíacas.

Um mês após a morte dela, a família moveu processos contra o Estado e a Prefeitura – mas cinco anos e três audiências depois, não houve ainda nenhuma decisão da Justiça. “Sentimos a falta dela”, diz Wallace de Oliveira, 27 anos, caçula de Cleonice, que deixou mais dois filhos: Wellington de Oliveira, de 30, e Adriano de Oliveira, de 33. Leia a reportagem completa

‘Ficou elas por elas’, lamenta viúva de caminhoneiro

Loiva ainda busca na Justiça responsabilização pela morte de Renato (Foto: Arquivo Pessoal)Loiva ainda busca na Justiça responsabilização pela morte de Renato (Foto: Arquivo Pessoal)

Loiva ainda busca na Justiça responsabilização pela morte de Renato (Foto: Arquivo Pessoal)

Ninguém foi responsabilizado até hoje pela morte do caminhoneiro Renato Kranlow, atingido por uma pedra após tentar furar o bloqueio de um protesto na BR-116, em Cristal, no Rio Grande do Sul,. “Ficou elas por elas, dizem que nem sabem quem matou ele”, afirma a viúva, Loiva Kranlow.

Onze pessoas foram indiciadas no caso, 3 por homicídio qualificado. O julgamento está marcado para o dia 2 de agosto. Renato foi agredido ao tentar furar um bloqueio de caminhoneiros e era escoltado pela polícia até a cidade de Camaquã quando uma pedrada atravessou o para-brisa e atingiu o pescoço dele. Renato morreu no local. Leia a reportagem completa

Processo arquivado aumenta dor de família de estudante atropelado no Piauí

Há cinco anos a família do estudante Paulo Patrik tenta entender o que aconteceu com o adolescente de 14 anos no dia 6 de junho de 2013. Ele teve morte encefálica após ser atropelado por um táxi durante um protesto em Teresina. O sofrimento aumentou com o arquivamento do processo como acidente.

“O processo foi arquivado como acidente, como se o meu filho fosse culpado por ter se jogado em cima do carro, mas ali aconteceu algo […] Existe um culpado nessa história”, afirma Elis Regina Sena, mãe de Patrik. Leia a reportagem completa

‘Quantas vezes a chave virou na porta e pensei que era ele’

Neide Maria Caetano de Oliveira segura foto do filho que morreu após cair de um viaduto em 2013, em Belo Horizonte, durante a Copa das Confederações (Foto: Flávia Cristini/G1)Neide Maria Caetano de Oliveira segura foto do filho que morreu após cair de um viaduto em 2013, em Belo Horizonte, durante a Copa das Confederações (Foto: Flávia Cristini/G1)

Neide Maria Caetano de Oliveira segura foto do filho que morreu após cair de um viaduto em 2013, em Belo Horizonte, durante a Copa das Confederações.

Belo Horizonte e a Região Metropolitana tiveram três mortes durante os protestos de junho de 2013. Até hoje, quando a chave da porta vira, Neide Maria Caetano ainda pensa que pode ser seu filho Douglas chegando da rua. O jovem de 21 anos saiu de casa no dia 26 de junho para um ato perto do Mineirão, em Belo Horizonte, durante a Copa das Confederações – e não voltou mais.

Douglas caiu no vão de um viaduto, chegou a ser socorrido, mas morreu horas depois no hospital. Até hoje não há uma explicação para a queda, e a investigação apontou que não há culpados.

No mesmo vão onde caiu Douglas, outro jovem tinha caído dias antes e também morreu. A Polícia Civil informou que o inquérito policial que apura a morte de Luiz Felipe Aniceto está em fase de conclusão. A família ainda sofre muito com a perda e deixou de acompanhar a investigação.

Em Santa Luzia, um policial reformado atirou na cabeça de Daniel Alcântara, então com 12 anos, porque confundiu o adolescente com manifestantes que estavam espalhando lixo na rua. O policial foi condenado a 18 anos de prisão.

Fonte: Quidnovi/G1