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  • 25 mar 2015

Equipes de resgate retomam buscas em área de queda de avião na França

Equipes de resgate retomaram nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (25) o trabalho de busca por vítimas em meio aos destroços do avião da companhia aérea alemã Germanwings, que caiu na terça (24) nos Alpes franceses. Nevou muito durante a madrugada na região onde a aeronave caiu.

O movimento de veículos por terra se intensificou a partir das 7h (horário local, 3h de Brasília) logo assim que saiu o sol na cidade de Seyne-les-Alpes, a poucos quilômetros do local do acidente e onde se concentram os serviços de resgate.

A prioridade nesta quarta será recuperar a segunda caixa-preta. A primeira já foi encontrada e encaminhada para Paris, onde sua análise já foi iniciada. O equipamento está danificado, mas as autoridades esperam conseguir recuperar informações relevantes para a solução do acidente.

O QUE SE SABE ATÉ AGORA:
– Um avião Airbus A320, da companhia Germanwings, caiu na manhã desta terça-feira (24), no sul da França;
– O voo 4U9525 fazia a rota Barcelona, na Espanha, a Düsseldorf, na Alemanha;
– O avião decolou com meia hora de atraso, mas a companhia ainda não sabe informar o motivo;
– A aeronave levava 144 passageiros, 2 pilotos e 4 tripulantes;
– Não há sobreviventes, disse o governo francês;
– A aeronave decolou às 9h55 locais (5h55 de Brasília);
– Segundo a empresa, a queda durou oito minutos;
– Destroços foram localizados em uma região de 2 mil metros de altitude;
– Segundo o ministro do Interior francês, uma caixa-preta do avião foi encontrada;
– A Direção Geral de Aviação Civil da França negou que um pedido de socorro teria sido emitido pelo avião antes da queda;
– A aeronave passou por manutenção de rotina um dia antes do acidente;
– Ainda não se sabe o que causou o desastre.
Helicóptero sobrevoa área de buscas por vítimas da queda do avião da Germanwings nesta quarta-feira (25) (Foto: Christophe Ena/AP)Helicóptero sobrevoa área de buscas por vítimas da queda do avião da Germanwings nesta quarta-feira (25) (Foto: Christophe Ena/AP)

O início dos sobrevoos dos helicópteros encarregados de transportar os investigadores ao local exato da queda, de acesso impossível por estrada, começou pouco depois, às 8h (4h de Brasília).

As equipes de buscas quase não abrigam esperanças de encontrar com vida algum dos 150 ocupantes do avião, seis deles integrantes da tripulação.

Os destroços estão localizados em uma região de 2 mil metros de altitude, e segundo o general francês David Galtier, “os pedaços de corpos humanos localizados não são maiores que uma pequena maleta”.

As autoridades tentarão criar um caminho rumo ao lugar onde se encontram os restos da aeronave. Embora as nuvens estejam altas, o que facilita o voo dos helicópteros, é possível que chova e que haja vento ao longo do dia, segundo os serviços meteorológicos.

O tenente-coronel Jean-Marc Ménichini, da gendarmaria, informou que 30 investigadores e médicos legistas integrarão as equipes nos helicópteros de busca.

A tarefa vai tomar pelo menos uma semana, advertiu.

“O acesso ao local é muito complicado. É uma área de muitas montanhas, muito elevada e é muito difícil chegar no local no inverno, a não ser pelo ar”, disse Francoise Pie, morador da região.

Uma unidade de emergência médico-psicológica foi estabelecida no hospital de Digne-les-Bains e outra será instalada em Seyne-les-Alpes, com intérpretes de espanhol e de alemão.

Caixas-pretas
A prioridade é tentar encontrar a segunda caixa-preta, a “FDR” (Flight Data Recorder), que grava os dados do voo segundo por segundo, uma tarefa que será complexa em consequência da dispersão de partes do avião em uma ampla área montanhosa de difícil acesso entre Digne-les-Bains e Barcelonette (Alpes da Alta Provença).

O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, informou nesta quarta que a caixa-preta encontrada até agora está danificada. No entanto, ele disse que o equipamento pode ser analisado por especialistas e já foi enviado ao Escritório de Investigação e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA, na sigla em inglês), cuja sede fica em Paris.

Entre os milhares de pedaços da aeronave foi possível identificar apenas o trem de pouso, segundo um investigador, o que levanta a possibilidade de que o avião se desintegrou no choque com as paredes rochosas.

A chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, e o presidente francês, François Hollande, visitarão o local da tragédia, que conta com mais de 300 policiais e 100 bombeiros.

As autoridades francesas organizaram um grande esquema em Seyne-les-Alpes para receber os familiares das vítimas que queiram chegar até o local.

Autoridades não privilegiam “hipótese terrorista”
No momento as causas do acidente são desconhecidas. Os pilotos do voo 4U9525 não enviaram nenhum sinal de problemas na aeronave.

O governo francês anunciou que não privilegia a hipótese terrorista.

“Todas as hipóteses devem ser consideradas até que a investigação apresente resultados, mas a hipótese terrorista não é privilegiada”, disse o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, à rádio RTL.

“Há uma concentração de partes do avião em um espaço de um hectare e meio. É um espaço importante porque o impacto foi importante, mas isto mostra que o avião provavelmente não explodiu”, completou o ministro.

A queda do avião, que tinha 25 anos e havia passado por uma revisão há menos de dois anos, durou oito minutos, segundo a Germanwings.

“No momento consideramos que foi um acidente e qualquer outra coisa é mera especulação”, disse Heike Birlenbach, vice-presidente da Lufthansa.

Contato perdido
O contato com os pilotos do avião se perdeu às 10h31 (horário local, 6h31 de Brasília), 20 minutos antes da queda, informou a ministra de Ecologia da França, Ségolène Royal.

A torre de controle da cidade francesa de Aix-en-Provence, no sul do país, pôde falar pela última vez com a cabine às 10h30 (6h30 de Brasília), em um momento em que o avião se encontrava a 11.400 metros de altitude.

Os controladores, como afirmou Royal na emissora “RMC”, indicaram aos pilotos que mantivessem esse nível de voo e que se pusessem em contato com a torre posteriormente, e receberam a confirmação da cabine.

Um minuto depois, no entanto, o avião começou a descer sem autorização, e os pilotos, segundo a ministra, não responderam aos chamados dos controladores quando estes lhes perguntaram pela perda de altura.

Às 10h40 (6h40 de Brasília), o avião, a 2.000 metros de altitude, desapareceu dos radares, e nove minutos depois helicópteros do pelotão de alta montanha da cidade de Jausiers, um caça Mirage 2000 e um avião de provisão decolaram em sua procura.
O baixo-barítono Oleg Bryjak e o contralto Maria Radner, que se apresentaram no teatro Liceu em Barcelona, estariam entre as vítimas da queda do avião da Germanwings (Foto: Reprodução/ Twitter/ Gran Teatre Liceu)O baixo-barítono Oleg Bryjak e o contralto Maria
Radner, que se apresentaram no teatro Liceu em
Barcelona, estariam entre as vítimas da queda do
avião da Germanwings (Foto: Reprodução/ Twitter/
Gran Teatre Liceu)

Vitimas
O avião Airbus da companhia Germanwings, empresa da Lufthansa, caiu no sul da França na terça. A aeronave ia de Barcelona, na Espanha, para Düsseldorf, na Alemanha. O voo 4U9525 viajava com 150 pessoas a bordo – 144 passageiros, dois pilotos e quatro tripulantes.

A catástrofe aérea, que provocou uma grande comoção na Europa, foi a pior registrada na França em mais de 30 anos.

Entre as vítimas estão 67 alemães, incluindo dois bebês e 16 adolescentes de Haltern (noroeste da Alemanha), que retornavam, ao lado de duas professoras, de um intercâmbio escolar na Espanha.

Entre os passageiros estavam 45 pessoas com sobrenomes latinos, segundo a vice-presidente do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría.

Dois colombianos e dois argentinos estariam no voo, assim como três mexicanos, segundo a chancelaria do país.

Dois australianos e pelo menos um belga também estão entre as vítimas.

O Reino Unido confirmou que três cidadãos britânicos estavam na aeronave.

Também estão entre as vítimas dois cantores de ópera de Düsseldorf, o baixo-barítono Oleg Bryjak, de 54 anos, e a contralto Maria Radner, 33, que viajava com o marido e seu bebê.

O diretor da escola Joseph-Koenig, que fica na cidade alemã de Haltern am See, confirmou que 16 estudantes e dois professores da instituição estavam a bordo da aeronave que caiu.

“Nesta manhã, os nossos alunos voltavam de Barcelona depois de um intercâmbio com estudantes espanhóis”, disse.

De acordo com o governo brasileiro, até o momento não há informações da presença de brasileiro no avião. O Itamaraty diz que o consulado brasileiro em Barcelona está checando a lista de passageiros com as autoridades europeias.

As famílias das vítimas estão sendo recebidas nos aeroportos de Barcelona e Dürsseldorf.

A Germawings afirmou que o piloto voava pela empresa havia dez anos e que o avião foi verificado por técnicos, em uma manutenção de rotina, um dia antes do voo.

Sinal de alerta
A Germanwings disse que a queda do avião durou oito minutos. A Direção Geral de Aviação Civil da França negou uma informação divulgada inicialmente, de que o avião teria emitido um sinal de emergência.
Destroço que parece ser parte da lateral do Airbus acidentado é vista em encosta nos Alpes Franceses (Foto: Denis Bois/Gripmedia/AFP)Imagem do que seria um destroço do avião no local
da queda (Foto: Denis Bois/Gripmedia/AFP)

Segundo o órgão, foi o controle de tráfego aéreo que decidiu emitir o sinal porque perdeu o contato com a tripulação e o avião.

“A aeronave não emitiu um sinal de emergência, mas foi uma combinação da perda do contato de rádio e a variação da altura do avião que levou o controlador a implementar a fase de emergência”, disse o porta-voz da autoridade francesa.

O Secretário de Estado dos Transportes francês, Alain Vidal, havia divulgado a informação de que “houve um pedido de socorro registrado às 10h47. Esse sinal de socorro mostrou que a aeronave estava a 5 mil pés, em uma situação anormal”. Vidal havia dito que o acidente ocorreu pouco após este sinal.
Familiares de vítimas do acidente com o voo 4U9525, da companhia alemã Germanwings, chegam ao aeroporto El Prat, em Barcelona, na Espanha (Foto: Albert Gea/Reuters)Familiares de vítimas do acidente chegam ao aeroporto El Prat, em Barcelona (Foto: Albert Gea/Reuters)
Pessoas colocam velas em homenagem aos estudantes da escola Joseph-Koenig em Haltern, oeste da Alemanha, que morreram no acidente aéreo na França (Foto: Sascha Schuermann/AFP)Pessoas colocam velas em homenagem aos estudantes da escola Joseph-Koenig em Haltern, na Alemanha, que morreram no acidente aéreo na França (Foto: Sascha Schuermann/AFP)
Pessoas chorando chegam ao aeroporto de Düsseldorf, na Alemanha. Um avião da companhia Germanwings com destino à Düsseldorf caiu no sul da França com 150 pessoas a bordo (Foto: Frank Augstein/AP)Familiares de passageiros do voo chegam chorando ao aeroporto de Düsseldorf (Foto: Frank Augstein/AP)