DFTrans: as línguas afiadas da ORCRIM

Por Mino Pedrosa

O deputado distrital Juarezão, (PSB-DF) atirou no que não viu e quase feriu de morte o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). A notícia de que um escândalo de desvios de recursos no DFTrans estava para vir a baila motivou o deputado a correr atrás de assinaturas para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquéritos (CPI),  que se aprofundasse estancaria uma sangria nos cofres do GDF.

Mal sabia que estava desvendando um escândalo de corrupção que beneficiaria campanhas eleitorais no seu próprio partido. Paralelo a isso corria na Câmara Distrital (CLDF) um outro pedido de abertura de CPI para apurar desvios de recursos na manutenção do patrimônio público de Brasília. Rollemberg nervoso e desesperado, em tom ríspido, exigiu que o deputado não levasse a frente a CPI do DFTrans. Curiosamente o parlamentar não conseguiu as assinaturas suficientes para a abertura da CPI.

O escândalo que saia dos bastidores e ganhava fôlego no Ministério Público (MPDFT) e na sede da Coordenadoria de Repressão aos Crimes Contra a Ordem Tributária e Fraudes fez com que a Polícia Civil deflagrasse uma operação levando um bando de criminosos para a cadeia e desvendando um projeto político que seria abastecido com o dinheiro de corrupção nas campanhas do PSB, em especial do secretário de mobilidade a época, Marcos Dantas e o próprio governador do DF, Rodrigo Rollemberg.

Aos 20 dias do mês de março na sede da coordenação de repressão aos crimes contra a ordem tributária e a fraudes, na presença dos Delegados de Polícia Civil, Rodrigo Freitas Carbone, com o registro feito pela escrivã, Maria de Fátima Paiva Vilela, prestou depoimento no inquérito criminal referência 426/2017-COOF, Alexandre Lopes de Alencar, 42 anos de idade que confessou ter conhecimento do funcionamento de uma máquina criminosa que desviava milhões de recursos do cofres do DFTrans subordinado ao GDF.

Acompanhado do advogado Danilo Bonfim Soares, Alexandre revelou um verdadeiro escândalo de corrupção: (que em uma reunião, em meados de fevereiro no escritório do empresário Pedro Godoy, amigo do ex-secretário de Mobilidade e atual secretário das cidades, Marcos Dantas, participaram: Vinícius Volpon, Marcos Dantas, Léo Carlos Cruz, Pedro Godoy e mais duas pessoas. Mas, embora Alexandre ter sido convidado, não participou, em razão de divergências políticas com Marcos Dantas. Apenas acompanhou e tomou conhecimento do assunto por meio de Volpon que relatou a pauta principal da reunião como sendo a negociação de “quatro cadeiras” no DFTrans, quais sejam: diretoria financeira, sala dos cartões de bilhetagem e coordenação de bilhetagem sendo que o nome indicado para eventualmente substituir Harumy era de Gustavo de Tal.

Marcos Dantas ponderou ao grupo alegando que apenas conseguiria substituir três cadeiras, diretoria financeira, sala dos cartões de bilhetagem e a terceira o interrogado não se recorda. Em relação a “cadeira” de Harumy, Marcos Dantas assegurou que não poderia substituir. Tendo em vista que Harumy estava naquele posto por deliberação expressa do atual governador Rodrigo Rollemberg, portanto, não poderia substituí-lo naquele momento.

Marcos Dantas precisava “levantar” dinheiro para a sua campanha de deputado federal bem como a campanha de reeleição do governador Rollemberg. E assim indagou aos participantes da reunião sobre quanto seria capaz de arrecadar com as três “cadeiras” indicadas para o esquema fraudulento.

Vinícius respondeu que seria possível arrecadar ilicitamente em torno de R$ 400.000,00 em espécie. Quantia que seria destinada diretamente para financiar a campanha de deputado federal de Marcos Dantas e a campanha de reeleição do governador Rollemberg. Em resposta Marcos Dantas perguntou para Vínicius: quanto seria possível arrecadar caso ele conseguisse retirar Harumy da coordenação? tendo Vinicius respondido que a arrecadação em razão dos esquemas fraudulentos aumentaria para R$ 1.000.000,00 por mês, pois, Harumy era um obstáculo para o grupo tendo em vista que este já possuía um esquema próprio. Assim, Vinícius deixou em aberto a possibilidade de substituir Harumy mediante articulação política).

O depoimento de Alexandre e outros envolvidos na tal reunião fizeram com que o delegado Rodrigo Freitas Carbone, levasse ao conhecimento do delegado Fernando Cézar Costa, coordenador geral da super delegacia contra a corrupção.

O MPDFT ofereceu a Vinicius Volpon e a Erick de Tal o benefício da colaboração premiada que no momento já está em curso. Segundo os bastidores o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, acompanha com lupa a delação de Vinícius que confessa a ação criminosa desde o governo de Agnelo Queiroz. Vinícius e Erick nominaram o alto comando da organização criminosa citando Marco Antônio Campanela como um dos chefes da ORCRIM (organizações criminosas) e também o padrinho de político de Campanela, Nelson Tadeu Filippelli. Vale ressaltar que quase todos os presos da operação foram libertados restando Pedro Jorge Brasil que negocia uma delação com a justiça e coloca no mesmo balaio integrantes do governo petista e o atual esquema de corrupção no governo Rollemberg, desbaratado pela Polícia Civil.

Trechos do depoimento de Alexandre: