Desarticulada quadrilha que roubava cargas e as revendia para supermercados do DF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desarticulou, na manhã desta quarta-feira (13), uma quadrilha especializada em receptação de cargas roubadas, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. De acordo com a corporação a associação criminosa atuava há cerca de quatro anos no DF. Hoje, os agentes cumpriram 10 mandados de prisão preventiva, um mandado de prisão temporária e 22 mandados de busca e apreensão.

Segundo delegado da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), Marcos Aurélio, os mandados são cumpridos nas cidades do Gama, Águas Claras, Samambaia, Ceilândia, Santa Maria, São Sebastião, Estrutural, Cidade Ocidental e Valparaíso (GO).

“O grupo é estruturalmente ordenado e caracterizado pela divisão de tarefas, com o intuito de obter vantagem patrimonial mediante a prática de infrações penais como a receptação de cargas roubadas, a venda de produto do crime por intermédio de comércio irregular para os supermercados do DF, a falsidade ideológica na constituição de empresas de fachada e a lavagem de dinheiro”,explica o delegado.

As investigações tiveram início em 7 de março, após a corporação apreender ao menos 50 toneladas de mercadorias roubadas em um galpão localizado no Gama.  Até o momento foram identificados ao menos dez crimes praticados pela quadrilha.

Divulgação/PCDF

Esquema

A organização criminosa funcionava como um verdadeiro centro de distribuição, de acordo com a corporação. Assaltantes que agiam na Região Metropolitana do DF, principalmente às margens da BR-060 e BR-153, atuavam como fornecedores. Eles contatavam os integrantes do grupo para negociar a carga roubada.

Em seguida, a carga era armazenada em galpões alugados no DF e, posteriormente, eram comercializada em supermercados de Santa Maria, Ceilândia, Samambaia e Gama. Os criminosos ainda criavam empresas de fachada para a emissão irregular de notas fiscais, a fim de “esquentar” as mercadorias e inseri-las na prateleiras de estabelecimentos comerciais para a venda ao consumidor final.

“Foi possível observar que o esquema criminoso se valia de um ciclo de empresas, as quais vão sendo sucessivamente descartadas e criadas novas, a fim de não chamar a atenção das autoridades competentes. Da mesma forma, identificou-se uma sucessão de ‘laranjas’ e ‘testas de ferro’ que figuram como sócios dessas empresas, afastando-se cada vez mais dos verdadeiros responsáveis pelas práticas criminosas”, destaca o delegado.

Os pagamentos à organização criminosa normalmente eram feitos em espécie ou por intermédio de veículo, que posteriormente eram revendidos, sempre com o uso de procurações. Ainda segundo o delegado, isso dificultava o rastreamente patrimonial e os ganhos financeiros.

Pena

Os investigados foram indiciados por organização criminosa, lavagem de dinheiro, receptação qualificada, e falsidade ideológica, pode pegar até 31 anos de prisão.

 

Fonte: Quidnovi/Jornal de Brasília