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  • 12 jul 2017

Davi e a batalha pela vida

Davi Lucca tem apenas 13 dias e já travou uma batalha pela vida. O pequeno nasceu com uma doença chamada Tetralogia de Fallot, que afeta principalmente a formação do coração. Só após cinco liminares, a família do bebê conseguiu autorização para a transferência do Hospital Regional de Ceilândia para o Instituto de Cardiologia (ICDF). No entanto, segundo a mãe do bebê, a mudança de unidade hospitalar ainda não ocorreu por falta de médicos para acompanhá-lo. A cirurgia também ainda não tem previsão para acontecer.

Beatriz Maciel Barbosa, de 19 anos e mãe do menino, descobriu a doença do filho quando ainda estava no quarto mês da gestação. “A gente já começou a correr atrás de exames. Fizemos o ecocardiograma e todos os outros que eram necessários na gestação. Só que a médica já tinha avisado que era caso de cirurgia”, explica Beatriz.

O parto de Davi precisou ser cesárea para que ele não tivesse qualquer outro risco. “No normal o bebê se cansa, e na cesárea ele teria esse conforto a mais”, conta a mãe. Davi Lucca nasceu saudável, com 2,8 quilos e 39 centímetros, no dia 29 de junho, mas por conta da doença teve que ir direto para a UTI do Hospital de Ceilândia.

No dia 03 de julho, os avós paternos e maternos foram, pela primeira vez, até a Defensoria Pública para ver se teriam acesso à cirurgia de bandagem pulmonar. “De lá pra cá, já são cinco liminares. A última foi hoje (ontem) e o GDF tem um prazo de 24 horas para cumprir, mas eles já descumpriram com todas”, lamenta o avô materno, José Ribamar Barbosa, 45 anos.

Os pais até pensaram em fazer o procedimento em um hospital particular, mas o custo é impossível para o casal. “Só a cirurgia fica R$ 100 mil, ainda precisa pagar as diárias, remédios… E ele deve ficar um mês ou mais no hospital. Não temos esse dinheiro”, relata o pai do bebê, Breno Morais Cordeiro, 23.

Depois chegaram a pedir ajuda da ONG Pequenos Corações para terem mais orientações sobre o caso. A iniciativa resultou em um abaixo-assinado, que causou comoção nas redes sociais e coletou 6.597 assinaturas. “A intenção era que chegasse até um órgão competente, ou que alguém pudesse nos ajudar”, conta Beatriz.

O Jornal de Brasília chegou a conversar com a mãe no Hospital de Ceilândia ontem. E, antes mesmo de finalizar a reportagem, a Secretaria de Saúde informou que o bebê havia sido encaminhado para a UTI Neonatal do Instituto de Cardiologia.

Ansiedade para abandonar a fila
Cardiologia não usa os laudos do Hospital de Ceilândia. Então, deve demorar uns dois dias ou mais para realizarem a cirurgia”, concluiu Breno Morais, o pai.
A reportagem do JBr. tentou contato com a assessoria do Instituto de Cardiologia para saber sobre datas, mas, até o fechamento desta edição, não conseguiu falar com os responsáveis.

Dos cerca de 2 milhões de brasileiros que nascem a cada ano, em média 1% tem cardiopatia congênita (doenças do coração de nascença), que representam a terceira maior causa de morte no primeiro mês de vida no país, segundo dados do Ministério da Saúde.

Foi pensando em reduzir esses números que a pasta lançou ontem um plano para garantir o atendimento de crianças com cardiopatia congênita no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa integra ações para o acesso ao diagnóstico, ao tratamento e à reabilitação de meninos e meninas com a doença. A meta inicial é ampliar em 30% o número de cirurgias realizadas na rede pública de saúde com investimento de R$ 91,5 milhões já em 2017.

Hoje, o SUS realiza operações de coração em 9,2 mil crianças por ano. Com o plano, a proposta é dar conta da demanda, chegando a 12,6 mil crianças atendidas por ano. Aqui no Distrito Federal, 586 crianças foram operadas no ano passado e 81 ainda estão na fila de espera para realizar algum procedimento no coração.