Brasília, 21 de fevereiro de 2018
14 fev 2018

Campanha da Fraternidade pede superação da violência

A promoção da cultura da paz para a superação da violência é o objetivo da Campanha da Fraternidade (CF-2018) deste ano, segundo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A campanha nacional, promovida anualmente em todas as dioceses do país, será lançada nesta quarta-feira (14/2), em Brasília. A cerimônia ocorrerá na sede da CNBB, na 905 Norte, às 10h, e terá a presença da ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). O cardeal Sergio da Rocha, Arcebispo Metropolitano de Brasília e presidente da CNBB, também deve apresentar a mensagem durante a celebração da missa na Catedral, às 19h30.

Nos últimos dois anos, a campanha focou em temas ambientais. Neste, o tema escolhido, “Fraternidade e superação da violência”, tem como objetivo geral a construção da fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da palavra de Deus, como caminho de superação da violência. Ele foi escolhido ainda em 2016, ano em que o Brasil teve recorde de mortes violentas intencionais, como homicídios e latrocínios: 61 619 vítimas, o equivalente a 168 por dia, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O lema, “Vós sois todos irmãos”, é baseado em uma passagem da Bíblia, em Mateus 23,8, que diz: “Mas vós não vos façais chamar rabi, porque um só é o vosso preceptor, e vós sois todos irmãos.”

Segundo a conferência, a Igreja Católica quer advertir que a violência não constitui, em qualquer circunstância, uma resposta justa. “A Igreja proclama, com a convicção de sua fé em Cristo e com a consciência de sua missão, que a violência é um mal, é inaceitável como solução para os problemas e não é digna do ser humano”, afirma em seu site. Para o secretário executivo da Campanha da Fraternidade (CF), padre Luís Fernando, a superação da violência “exige comprometimento e ações envolvendo a sociedade civil organizada, a Igreja e os poderes constituídos para a formulação de políticas públicas emancipatórias que assegurem a vida e o direito das pessoas em uma sociedade”

Para a CNBB, a busca de soluções alternativas à violência para resolver os conflitos assumiu hoje um caráter de “dramática urgência”. Para isso, se torna essencial a busca das causas que a originam, inclusive as que se ligam a situações estruturais de injustiça, de miséria, de exploração. O lema da campanha é uma forma de resgate do sentido da fraternidade dos povos. “Somos todos irmãos e irmãs, filhos e filhas de um mesmo Pai. Por isso, iluminados pelo evangelho do Reino, somos chamados à não violência”, afirma a CNBB.

Entre as propostas de ação apresentadas pela CNBB tem destaque a Justiça restaurativa, que é incentivada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O sistema, existente há 10 anos, escuta agressores e agredidos e busca soluções intermediárias que não só a punição. Entre outros indicativos de ação pública, aparecem a defesa da Lei Maria da Penha, do Estatuto do Desarmamento e das diversas legislações sobre direitos humanos, além da participação em conselhos paritários.

Campanha marca início da quaresma

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A Campanha da Fraternidade é realizada todos os anos pela CNBB desde 1964, em pleno desenvolvimento do Concílio Vaticano II, quando foi realizada a primeira campanha nacional. O evento católico é sempre iniciado na quarta-feira de cinzas, quando tem início a Quaresma, período de 40 dias no qual a Igreja Católica convida os fiéis a praticar a oração e o jejum até o domingo de Ramos, em 25 de março. Durante a cerimônia será lida a mensagem do papa Francisco para o período da Quaresma.

 

Fonte: Quidnovi/Correiobraziliense