Câmara Legislativa: “rompendo os anos” com o toma lá da cá

Por: Mino Pedrosa

Os mandatários da Câmara Legislativa de Brasília “rompem os anos” praticando o toma lá da cá. A promiscuidade na relação entre o legislativo e o executivo, deixa a população do Distrito Federal descrente nos escolhidos com o propósito de representar o povo. Reféns do executivo a maioria que se põe em posição de subserviência, trocam seus mandatos por interesses pessoais ou partidários.

As eleições em 2018 serão diferentes. A mudança no comportamento dos eleitores, em especial, o acirramento do descrédito e do ceticismo da população e a percepção de que a corrupção é endêmica. Faz influenciar nos resultados do que já se parece decidido. Agora, depois dos escândalos de corrupção envolvendo a maioria dos políticos a população rechaça a velha política dos representantes que usam o jargão do “rouba, mas faz”.

A partir de 2018 os eleitores usarão a premissa de que os políticos em sua grande maioria “roubam e não fazem”. Na política a troca de favores e a promiscuidade caminham juntos entre o legislativo e o executivo acompanhados por uma justiça que mantém um olho vendado para os mal feitos dos políticos e o outro bem aberto punindo a população.

É importante ressaltar que a reciprocidade entre o mandatário e o eleitor será fundamental para obrigar o gestor no executivo cumprir as promessas feitas durante o período eleitoral. As redes de relacionamento serão decisivas nas análises das propostas e perfis de candidatos que prometeram durante as eleições e não cumpriram nos mandatos.

Em 2017 o eleitorado do Distrito Federal assistiu os deputados distritais vestirem uma tenda colorida sobre a Câmara Legislativa com extensão ao Palácio do Buriti. O governador, Rodrigo Rollemberg, usava o nariz vermelho, mas, com o comportamento avesso do que alegra o povo. No picadeiro a mensagem era de 1,2 bilhões surrupiados do Fundo de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (IPREV-DF).

O achaque era flagrante e a minoria que se faz oposição ao GDF gritou “respeitável público, Rollemberg quer garantir a reeleição”. A base governista da prática do toma lá da cá, forçou a votação que liberava o bilhão. Mas, diante do escândalo os deputados fecharam as cortinas e negociaram por trás do palco uma votação extraordinária usando o pretexto de avaliar melhor a proposta de Rollemberg. Mais uma vez o toma lá da cá prevaleceu e em 15 de janeiro quando a maioria da população se encontra em férias será votado o pacote que visa garantir não só a reeleição do governador como também a maioria absoluta dos deputados que compõem a base governista.

Os cargos e verbas de emendas trocados entre a CLDF e o executivo servirão aos deputados que precisam desses argumentos para manter o curral eleitoral. O resultado da convocação extraordinária no dia 15 de janeiro será o acertado por traz das cortinas do picadeiro onde mais uma vez no jogo do toma lá da cá quem perde é a população.