Após 24 anos, UnB autoriza reajuste no preço das refeições no restaurante universitário

O Conselho de Administração (CAD) da Universidade de Brasília (UnB) aprovou aumento no preço das refeições do Restaurante Universitário (RU). Para os estudantes que não fazem parte do Programa de Assistência Estudantil, o café da manhã passa de R$ 2,50 para R$ 2,80. Já o almoço e o jantar tiveram uma alta de 108% no preço. O valor saltou de R$ 2,50 para R$ 5,20. Alunos protestam no câmpus universitário Darcy Ribeiro contra o aumento. Apenas quatro conselheiros votaram contra o reajuste, sendo que 80 membros fazem parte do CAD.

A decisão havia sido proposta pela Reitoria e foi votada no Auditório Verde da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Gestão Pública (Face). O aumento passa a valer após a resolução ser publicada no Boletim de Atos Oficiais da UnB. Segundo a Coordenadoria de Assessoria de Imprensa – CAI/UnB, ainda não há prazo para a publicação ser feita.
Aline Ramos /CB/D.A Press
A última alteração no preço das refeições do RU ocorreu em 1994. O novo aumento ocorre em momento de crise orçamentária na UnB, que está com déficit de R$ 92 milhões previstos para 2018.
Segundo a Universidade, o valor gasto com o RU em 2017, incluindo os subsídios, foi de R$ 27,4 milhões. Ainda de acordo com a UnB, “este ano, se nada for feito, a previsão é que a fatura chegue a R$ 31 milhões – em um cenário em que os recursos do Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) estão congelados, desde 2015, em cerca de R$ 30 milhões”.
Insatisfação 
O aumento de 108% no valor do almoço e da jantar revoltou os estudantes da UnB. A Aliança Pela Liberdade, atual gestão responsável pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE/UnB) garantiu que está estudando medidas para impedir o reajuste. “Somos contrários ao aumento. Sugerimos que, caso houvesse o reajuste, que tivessem mais faixas de preço. Hoje, temos os alunos da assistência, que não pagam pela refeição, e os demais passarão a pagar esse valor alto. E essa cobrança preto no branco não condiz com a realidade plural universidade”, conta Clarice Menin, coordenadora geral do DCE.
“Temos alunos que trabalham para se sustentar, alguns que são de outro estado e só fazem refeições na Universidade; outros que passam o dia fora de casa e não tem dinheiro para bancar refeições caras. O diálogo sobre o aumento não foi feito pensando nessa pluralidade de situações, e isso é preocupante”, acrescenta a porta-voz.
Luciana dos Santos, 23 anos, estudante de agronomia diz que é um absurdo o aumento, e prejudicará muitos alunos que como ela são de baixa renda. “Trabalho como freelancer, não possuo renda fixa já que a carga da faculdade consome bastante do meu tempo. Tomo café da manhã e almoço aqui no RU todos os dias. É exagerado e absurdo esse aumento, por dia vou gastar quase  R$ 8. Como fica essa conta no fim do mês?” questiona.
Um protesto que ocorria no começo da tarde desta quinta-feira (28/6), sobre visibilidade bissexual, mudou de tom após a aprovação do aumento da refeição. Os alunos gritavam juntos “R$ 5,20 eu não pago. Quero alimentação de qualidade”.
Fernanda Soares, 22 anos, estuda economia e faz parte do programa de Assistência Estudantil, e mesmo não pagando pelas refeições, considera abusivo o valor que os colegas tem que desembolsar pela alimentação. “É ruim e exagerado, mesmo eu não pagando vejo o absurdo nesse aumento. Acredito que algo precisa ser feito”.
Fonte: Quidnovi/Correio Braziliense